O secretário nacional de Estado de Direitos Humanos, José Gregori, quer a cassação do mandato do deputado Remi Trinta (PL-MA) por falta de decoro parlamentar. Na opinião do secretário, o deputado reeleito cometeu crime de racismo contra o co-piloto da Transbrasil Sérgio Arquimedes, que é negro.
Segundo Gregori, o parlamentar também deve responder a processo por ter causado confusão numa aeronave da Transbrasil em consequência de embriaguez durante vôo a Brasília, quando iria tomar posse no cargo. Como foi preso por agentes da Polícia Federal, o presidente da Câmara, Michel Temer, foi obrigado a interferir pelo parlamentar, libertando-o e empossando-o sob custódia.
‘‘O deputado teve um comportamento aético que fere o decoro da Câmara’’, afirmou o secretário, após receber o co-piloto e uma comissão de representantes de entidades de defesa dos negros.
No dia 31 de janeiro, o deputado foi preso em flagrante pela Polícia Federal e forçado a desembarcar em Belém, interrrompendo a viagem de São Luís do Maranhão a Brasília. Logo que embarcou, segundo conta o co-piloto Arquimedes, o deputado discutiu com um comissário e uma passageira por um assento no avião.
A agressão ao co-piloto ocorreu na troca de tripulação em Belém. ‘‘Ele cutucou as minhas costas de forma agressiva, afirmando que não admitia que lhe dessem as costas’’, conta Arquimedes, que se recusou a responder uma pergunta do deputado. ‘‘Ele me disse que aquela atitude era sinal de que eu era complexado pela cor preta de minha pele.’’
Arquimedes disse que sentiu indignação. ‘‘É como se eu fosse violentado nos mais elementares direitos primários de moral e ética’’, disse o co-piloto, que tem 43 anos de idade e 24 de profissão.
Integrantes da mesa da Câmara estão tentando negociar com o co-piloto. Se não houver acordo, o plenário julgará, depois do Carnaval, o relaxamento da prisão do deputado, preso em flagrante, mas libertado ficando sob custódia da mesa.
O deputado Remi Trinta escreveu ontem uma carta para o presidente da Câmara, Michel Temer, dando a sua versão. ‘‘Fui violentamente arrancado do avião’’, protesta. O parlamentar maranhense defende-se da acusação de racismo, afirmando ser visivelmente descendente da raça negra e possuir secretário parlamentar, motorista e um filho de criação negros.

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