Deputado pode ser cassado por racismo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Sandra Sato Agência Estado 
O secretário nacional de Estado de Direitos Humanos, José Gregori, quer a cassação do mandato do deputado Remi Trinta (PL-MA) por falta de decoro parlamentar. Na opinião do secretário, o deputado reeleito cometeu crime de racismo contra o co-piloto da Transbrasil Sérgio Arquimedes, que é negro.
Segundo Gregori, o parlamentar também deve responder a processo por ter causado confusão numa aeronave da Transbrasil em consequência de embriaguez durante vôo a Brasília, quando iria tomar posse no cargo. Como foi preso por agentes da Polícia Federal, o presidente da Câmara, Michel Temer, foi obrigado a interferir pelo parlamentar, libertando-o e empossando-o sob custódia.
O deputado teve um comportamento aético que fere o decoro da Câmara, afirmou o secretário, após receber o co-piloto e uma comissão de representantes de entidades de defesa dos negros.
No dia 31 de janeiro, o deputado foi preso em flagrante pela Polícia Federal e forçado a desembarcar em Belém, interrrompendo a viagem de São Luís do Maranhão a Brasília. Logo que embarcou, segundo conta o co-piloto Arquimedes, o deputado discutiu com um comissário e uma passageira por um assento no avião.
A agressão ao co-piloto ocorreu na troca de tripulação em Belém. Ele cutucou as minhas costas de forma agressiva, afirmando que não admitia que lhe dessem as costas, conta Arquimedes, que se recusou a responder uma pergunta do deputado. Ele me disse que aquela atitude era sinal de que eu era complexado pela cor preta de minha pele.
Arquimedes disse que sentiu indignação. É como se eu fosse violentado nos mais elementares direitos primários de moral e ética, disse o co-piloto, que tem 43 anos de idade e 24 de profissão.
Integrantes da mesa da Câmara estão tentando negociar com o co-piloto. Se não houver acordo, o plenário julgará, depois do Carnaval, o relaxamento da prisão do deputado, preso em flagrante, mas libertado ficando sob custódia da mesa.
O deputado Remi Trinta escreveu ontem uma carta para o presidente da Câmara, Michel Temer, dando a sua versão. Fui violentamente arrancado do avião, protesta. O parlamentar maranhense defende-se da acusação de racismo, afirmando ser visivelmente descendente da raça negra e possuir secretário parlamentar, motorista e um filho de criação negros.


