Curitiba - O governo do Estado ganhou mais tempo para aglutinar sua base na Assembléia Legislativa. O veto do governador Roberto Requião (PMDB) ao Plano de Cargos e Salários dos Professores não foi votado ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) porque o deputado aliado Mário Sérgio Bradock (PMDB) pediu vistas. Bradock tem dez dias úteis para devolver o veto que acabou com o pagamento dos aumentos retroativo a fevereiro.
O parecer, feito pelo relator Antonio Anibeli (PMDB), foi lido na reunião da CCJ. Anibelli defendeu a constitucionalidade do veto, e em seguida Bradock pediu vistas. Apesar de não admitir oficialmente, o governo teme que, se chegar a plenário, o veto seja derrubado, pois a votação é secreta e os deputados não têm interesse em se indispor com os professores, maior categoria do Estado. Segundo o deputado Tadeu Veneri (PT), integrante da CCJ, ninguém reclamou quando Bradock pediu vistas.
Depois da reunião da CCJ, Bradock disse aos jornalistas que pediu vistas porque até então não teve a oportunidade de ler o veto. O plenário da Assembléia funcionou ontem em comissão geral, ou seja, o veto poderia ter sido analisado.
O líder da oposição, Durval Amaral (PFL), levantou uma questão de ordem, alegando que o veto já deveria ter sido apreciado. Amaral tomou como base o Regimento Interno, e explicou que os vetos precisam ser votados em 30 dias a partir do recebimento na Casa, caso contrário a pauta fica trancada, ou seja, nenhum outro projeto pode ser votado antes. O veto chegou à Assembléia em meados de março. Mas a mesa executiva entende que, como o veto não está na Ordem do Dia, a pauta não está trancada.
A APP-Sindicato, entidade que representa os professores, pretende levar professores ao plenário da Assembléia quando o veto chegar à pauta.

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