Deputado pede substituição de Abi-Ackel
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de julho de 2005
Folhapress 
Brasília - O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) apresentou ontem requerimento à presidência da CPI do Mensalão, instalada no Congresso, pedindo a saída do relator da comissão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG). Abi-Ackel vem sendo pressionado pela oposição para deixar o cargo após a divulgação de reportagem da revista ''Época'' que vincula seu nome a duas doações - que totalizam R$ 150 mil -, feitas em 1998 pela empresa SMP&B, de Marcos Valério.
No requerimento, Mattos diz que ''as investigações não poderão ter sua relatoria a cargo de um parlamentar sob o qual pesam suspeitas''. ''A iniciativa que propomos visa resguardar o Congresso de eventuais legítimas contestações pela sociedade'', diz o texto.
Abi-Ackel descartou a possibilidade de renunciar ao posto e disse que ''sob Pompeo pesam suspeitas de desequilíbrio mental''. ''Esta é uma hora muito propícia para demonstrações teatrais, para manifestação de hipocrisia moral. É um destrambelhado, não levo em consideração (o requerimento)'', disse. Sobre as doações das empresas de Valério, o relator da CPI afirmou, em nota, que as doações foram feitas à coligação majoritária ao governo de Minas Gerais, à época encabeçada pelo senador Eduardo Azeredo, hoje presidente do PSDB. A nota também leva a assinatura de Cláudio Mourão, então coordenador financeiro da campanha de Azeredo.
Filiado PP, partido que tem deputados acusados de receber o ''mensalão'', Abi-Ackel foi indicado à relatoria pelo governo devido a sua formação jurídica. Ele foi ministro da Justiça no governo de João Batista Figueiredo entre 1980 e 1985.
A CPI pretende começar os trabalhos na próxima semana com o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o suposto ''mensalão''. Jefferson deverá ser ouvido na segunda ou na quarta-feira.


