O deputado José Borba (PTB-PR), 48, assumiu ontem a responsabilidade por ter votado em nome do deputado Valdomiro Meger (PFL-PR), 53, na sessão de votação da reforma da Previdência de ontem. A atitude do deputado favorece Meger. Teoricamente ele poderá dizer que não compactuou com a fraude e foi surpreendido com a atitude de Borba. Em outra denúncia de fraude em votações, o deputado Moisés Lipnik (PTB-RR) foi inocentado porque alegou que desconhecia quem registrou o voto em seu lugar.
A diferença dos dois casos é que agora o autor foi flagrado, e a fraude não se limitou a uma única votação. ‘‘Pratiquei o ato espontaneamente, por mero gesto de amizade a meu colega (apesar de meu concorrente eleitoral) deputado Valdomiro Meger, o qual teve de ausentar-se de Brasília após ter permanecido em plenário até por volta das 15h’’, disse Borba, por meio de nota à imprensa.
Borba afirma que sua atitude não foi em troca de qualquer tipo de vantagem. ‘‘Nenhum interesse escuso ou reprovável animou meu gesto, muito menos comprometeu a referida sessão, cuja validade acha-se mantida’’, diz a nota. O deputado termina pedindo desculpa à Câmara, à Mesa, aos colegas e à sociedade brasileira ‘‘pela falta cometida de cujas consequências negativas devo ser o único destinatário’’.
Ainda vestindo pijama, às 8h de ontem, Borba bateu à porta do apartamento do líder do PTB, Paulo Heslander (MG), que mora no mesmo prédio. Ele contou que estava envolvido em episódio de fraude na votação da sessão do dia anterior e consultou o líder sobre a gravidade de seu ato. ‘‘Isso é grave?’, perguntou Borba, segundo relato de Heslander. O líder respondeu que ele perderia o mandato. Heslander iniciou então uma operação para verificar as decisões da Mesa da Câmara. Interrompeu a reunião da Mesa para ver a fita gravada e dar seu parecer sobre o caso. Consultou também o líder do governo, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), antes de responder novamente a Borba que as provas contra ele eram irrefutáveis.
Borba também pediu auxílio ao deputado Vicente Cascione (PTB-SP). Às 11h, ele telefonou para o parlamentar perguntando se havia alguma forma de preservar seu mandato. ‘‘Disse a ele que não havia mais saída’’, afirmou Cascione, membro da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), etapa preliminar do processo de cassação.

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