Deputado para de usar verba indenizatória
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de março de 2009
Gabriela Guerreiro e Renata Giraldi<br>Folhapress 
Brasília - Há mais de um mês no foco de uma série de denúncias, o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) - que é acusado de não declarar à Justiça um castelo no valor de R$ 25 milhões - não realizou gastos com a verba indenizatória da Câmara em fevereiro, quando foram reveladas as irregularidades contra o parlamentar.
Moreira interrompeu prática adotada por ele nos últimos dois anos, em que mensalmente declarava à Casa gastar pelo menos R$ 10 mil mensais com serviços particulares de segurança.
O parlamentar é investigado pela Corregedoria da Câmara sob a suspeita de apresentar notas fiscais de suas empresas de segurança para justificar gastos da verba indenizatória. Interlocutores afirmam que com medo de perder o mandato, Moreira decidiu interromper suas despesas com a verba no mês de fevereiro.
Em janeiro, antes das denúncias virem à tona, o deputado gastou R$ 15 mil com ''serviço de segurança prestado por empresa especializada''. O mesmo gasto se repetiu ao longo de 2007 e 2008, com valores que variaram de R$ 15 mil a R$ 11 mil - quase a totalidade da verba.
Em alguns meses ao longo dos últimos dois anos, os gastos com segurança dividiram espaço apenas com despesas para o pagamento de combustíveis, lubrificantes e equipamentos de veículos automotores. Nesse período, Moreira somou gastos de R$ 236 mil com segurança - o que representa 68,4% do total da verba indenizatória no período.
Procurado pela reportagem, Moreira não foi encontrado para comentar o recuo nos gastos com a verba indenizatória. Desde que as denúncias do castelo vieram a tona, o deputado evita a imprensa. Ele ficou desaparecido por um mês da Câmara após a revelação de que não teria declarado o castelo à Justiça.
Investigação
A Corregedoria da Câmara instalou comissão de sindicância integrada por cinco parlamentares para investigar as denúncias contra Moreira. O PSOL ingressou com processo contra o parlamentar na Corregedoria com a suspeita de que o deputado teria apresentado notas fiscais de suas empresas de segurança para justificar gastos da verba.
Pela representação do PSOL contra Moreira, o deputado recebeu R$ 90,6 mil em 2007 de verba indenizatória. Em 2008, os gastos teriam totalizado R$ 140 mil. A verba deve ser usada apenas para cobrir gastos da atividade parlamentar, no valor mensal de R$ 15 mil.


