Deputado obtém medida que impede invasão de fazenda
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terça-feira, 19 de setembro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
A juíza da Vara Cível de Santo Antonio da Platina (cidade-pólo/Norte Pioneiro), Joana Tonetti, concedeu ontem o interdito proibitório requerido pelo deputado federal Abelardo Lupion (PFL). A medida impede que os quase 300 membros da Via Campesina, acampados desde segunda-feira a quatro quilômetros da Fazenda Santa Rita, invadam a propriedade, que pertence ao deputado.
''Espero que o Estado mantenha a integridade da minha família, que está toda na fazenda, dos funcionários e da minha propriedade. Agora o problema é do Estado. Já tenho ordem judicial garantindo que o Estado me dê proteção'', disse o deputado. ''A única coisa que estou fazendo é contra as faixas que colocaram na rodovia. Estou entrando com notícia crime contra o movimento. Só dois orgãos podem julgar um deputado federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e Comissão de Ética da Câmara. Tenho certidões tiradas hoje dos dois órgãos dizendo que não tem nada contra mim e estão dizendo que há'', complementou, se referindo à nota distribuída pelo movimento à imprensa que o acusa de responder duas representações no STF e na Câmara por suposto beneficiamento de transnacionais através de emendas parlamentares, e um processo por irregularidades na prestação de contas da campanha de 1998. ''Isso tudo são factóides que criaram para denegrir a minha imagem porque têm ódio de mim. É uma missa encomendada para tentar me tirar a eleição'', afirmou. Lupion disputa a reeleição para a Câmara dos Deputados.
Segundo o major Airton Diniz, do 2º Batalhão da Polícia Militar em Jacarezinho, as medidas a serem tomadas para assegurar o cumprimento da ordem judicial seriam decididas após a notificação dos líderes do movimento. ''A partir daí a ação da PM será definida. A Polícia Militar já está no local garantindo o direito à propriedade e para impedir qualquer confronto'', afirmou o major. A situação está sendo monitorada permanentemente por cerca de dez policiais, em uma equipe fixa e duas volantes.
Um dos membros da Via Campesina que está participando do acampamento, Joarez Baldez, conhecido como ''Cabelo'', disse que a decisão judicial está sendo analisada pelos advogados do movimento. ''A nossa intenção é fazer uma ação denunciando Abelardo Lupion e as injustiças, principalmente o caixa dois. Se vamos entrar (na propriedade) ou não, cabe ao contexto de hoje, dependemos do Judiciário fazer a apuração dos fatos. O acampamento é por tempo indeterminado mas tudo pode mudar'', alertou Baldez.
Baldez ainda defendeu o conteúdo exposto nas faixas que devem ser alvo de ações criminais. ''O que temos de informação hoje é isso que está nas faixas e muito mais. É bom ele saber que está mexendo com uma organização mundial'', afirmou. Ele também descartou o vínculo eleitoral apontado por Lupion. ''Isso é puramente uma mobilização das organizações populares tendo em vista vários movimentos sociais que compõem a Via Campensina. Não há nenhum partido ou vínculo político, simplesmente a sociedade está denunciando esse tipo de atrocidade'', afirmou.


