Deputado nega que sabia de escola
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sábado, 17 de fevereiro de 2001
Lúcio Horta De Londrina 
O deputado federal Alex Canziani (PSDB) negou ontem que soubesse que o terreno doado pela Prefeitura de Londrina em 1998 para a construção de um centro de eventos abrigava obras de uma escola agrícola. A informação contradiz declarações do ex-secretário de Educação de Londrina, José Dorival Perez, que anteontem revelou que em 1997 participou de uma reunião com o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) e a diretoria Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). Na ocasião, ficou determinado que, por causa da doação, ele deveria encontrar outra área para abrigar a escola. Na época, Alex era vice-prefeito e presidente da Codel.
Participei de várias reuniões na Codel e não me lembro daquela (com Perez). Também não me lembro que naquele local estava sendo construída uma escola, assegurou ontem o deputado. A doação acabou se concretizando em junho de 98 a área, localizada na zona sul e avaliada em R$ 2 milhões, foi transferida para a PBV Representações Eventos e Participações Ltda, que implantou o Centro de Exposições e Eventos de Londrina. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) porque recursos federais foram encaminhados para a construção da escola.
O ex-diretor técnico da Codel, o arquiteto Paulo Bombassaro, também disse ontem que em momento algum, durante o processo de doação, foi revelado que a área abrigaria uma escola. Sei que lá funcionava a patrulha mecanizada. Tinha também caseiros, que moravam no local, e plantações. Mas nunca vi algo que identificasse uma escola.
Bombassaro acrescentou que na época da doação foi assinado um protocolo de intenções entre a prefeitura e a PBV e, entre os documentos, havia uma certidão do cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis informando que o terreno estava livre, sem qualquer tipo de ônus. A partir desses documentos, a Comissão Municipal de Industrialização, qua analisa a possiblidade de doação pela lei 5.669 (de incentivos), deu parecer favorável, disse. E quem doou foi a Câmara dos Vereadores, baseada nas documentações.
Ontem, o ex-prefeito Belinati foi novamente procurado para falar sobre o assunto mas não retornou as ligações. Questionado pela reportagem da Rádio Paiquerê AM, comentou apenas que a partir de agora sou um radialista e só falo sobre meu programa de rádio se referindo ao programa Amigo Belinati, transmitido pela Rádio Londrina. Passado é passado.
Segundo um levantamento da auditoria da prefeitura, a escola começou a ser construída em 1992. Cerca de R$ 200 mil foram gastos na construção de cinco salas de aulas e um estábulo. Outros R$ 743 mil, repassados pelo Ministério da Educação, ainda estão em uma conta da prefeitura. A auditoria passou a investigar o caso após receber um pedido de informações do MPF.


