Deputado nega ilegalidades em doação por "empresa de fachada"
O deputado estadual Tiago Amaral (PSB), cuja campanha à Assembleia Legislativa (AL), em 2014, recebeu recursos de uma empresa de fachada usada pelo esquema criminoso dos auditores da Receita Estadual de Londrina, negou, em nota enviada ontem à FOLHA que haja qualquer irregularidade em sua prestação de contas. "Como resultado desse cuidado na gestão da campanha, essa foi aprovada por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná", escreveu o parlamentar, que não compareceu à sessão de ontem da AL.
Porém, na nota, o deputado não explica qual sua relação com a empresa Masterinvest Service Ltda. e tampouco com seu proprietário, o auditor da Receita Estadual de Londrina Luiz Antonio de Souza, que confirmou ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em acordo de delação premiada, que havia uma organização criminosa atuando na órgão.
A Masterinvest Service Ltda. é uma das cinco empresas de fachada, em nome da "laranjas", que serviam ao esquema criminoso dos auditores. A suspeita do Gaeco é que eram usadas também para lavagem de dinheiro. As outras quatro empresas não fizeram doações eleitorais e o único beneficiado pelas doações da Masterinvest foi a campanha de Amaral, que recebeu duas doações somando R$ 8.150. Dois auditores réus na Operação Publicano também fizeram doações a Amaral, somando R$ 5,3 mil.
Na nota, o parlamentar tenta se isentar, afirmando que "não participou pessoalmente de todos os atos de arrecadação de sua campanha, pois estruturou uma equipe profissional para tanto" e alega que durante o período de arrecadação, não havia informações acerca da ilegalidade da empresa e das investigações sobre os fiscais doadores e que, portanto, "é impossível exigir uma espécie de capacidade premonitória seja do deputado, seja de seus gestores de campanha, para 'adivinhar' que eventuais doadores de campanha viriam a ter problemas jurídicos, sobretudo quando as doações foram absolutamente legais".
(L.C.)





