Deputado nega envolvimento com desvios
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terça-feira, 15 de outubro de 2002
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá O deputado federal Odílio Balbinotti (PSDB) disse ontem que a acusação de que o Ministério Público o favoreceu nas investigações de improbidade administrativa faz parte de um ataque do deputado federal Ricardo Barros (PPB) para desviar a atenção sobre irregularidades na Prefeitura de Maringá. Balbinotti negou qualquer vínculo de amizade com o promotor José Aparecido da Cruz e disse que as investigações mostraram que a empresa Sementes Adriana, de propriedade do deputado, não recebeu dinheiro do município por meio de negócios com o ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido).
As acusações de Barros surgiram depois que a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público protocolou uma ação civil pública por improbidade administrativa. A ação, assinada pelo promotor Cruz, é baseada em uma auditoria do Tribunal de Contas do Paraná, que teria identificado irregularidades durante a gestão de 1989 a 1992 do então prefeito Ricardo Barros.
O processo também envolve o ex-secretário de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi, preso desde dezembro de 2000. Na gestão de Barros, Paolicchi atuou como contador. A ação, protocolada no dia 3 deste mês, pede o ressarcimento de R$ 8,7 milhões ao município.
Em coletiva à imprensa, anteontem, Barros chamou o promotor de corrupto e afirmou que houve uma tentativa do MP em desmoralizar a campanha de reeleição a deputado federal porque a ação foi protocolada dias antes das eleições. Barros conseguiu o sigilo judicial até o dia 8 deste mês.
Balbinotti explicou ontem que entre 1998 e 2000 manteve negócios com Gianoto. Segundo o deputado, Gianoto adquiria sementes de sua empresa e que na última compra o ex-prefeito utilizou um cheque pessoal no valor de R$ 92 mil. Balbinotti disse que o cheque foi repassado para a Produquímica, de São Paulo, empresa fornecedora de insumos para a Sementes Adriana. ''Paguei um débito da minha empresa junto a Produquímica e cerca de 10 dias depois, os funcionários ligaram dizendo que o cheque de Gianoto havia voltado por falta de fundos'', disse.
Segundo o deputado, Gianoto resgatou o cheque junto à Produquímica e só depois das investigações a promotoria descobriu que o valor utilizado pelo ex-prefeito era oriundo dos cofres da prefeitura. ''Por isso não estou incluído na ação, porque quem deve ressarcir a prefeitura é o Gianoto'', afirmou.


