Deputado não vê motivos para deixar o cargo
Em entrevista coletiva, Edmar Moreira disse que transferiu a propriedade do castelo para os dois filhos, um deles o deputado estadual mineiro Leonardo Moreira (DEM), em dezembro de 1993 e por isso o imóvel não está em suas declarações de Imposto de Renda.
Moreira disse também que não tem dívidas com o INSS e prometeu comprovar tudo com documentos. ''Já provamos que tudo foi pago. Estou ansioso para que sejamos ouvidos e se chegue a um bom termo. Uma empresa que operou trinta anos tem processos, tem questões trabalhistas'', afirmou. Segundo denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pelo menos R$ 1 milhão recolhido por funcionários da empresa de Edmar Moreira não foi repassado ao governo.
O deputado afirmou ainda que não vê motivos para deixar o cargo. Questionado, respondeu que consideraria ''justo'' se fosse aberto um processo para investigá-lo na Câmara, mas emendou: ''Eu vou me antecipar e apresentar todos os documentos.''
Sobre o castelo, disse que construiu para que depois fosse vendido e transformado em um hotel. ''O interior está inacabado. Não tem um móvel, uma cadeira. Vocês estão confundindo com o Museu do Louvre'', ironizou.
O castelo em estilo medieval tem 36 suítes com hidromassagens, torres, uma delas com oito andares, e ''192 hectares requintados, com belas reservas e parques'', como anuncia o portal oficial do ''conjunto arquitetônico inspirado nos castelos europeus''.
Sobre a reunião da Executiva, o parlamentar disse que dará todas as explicações e garantiu que não foi candidato à revelia do partido por ''rebeldia''. ''Minha candidatura não foi de contestação. A segunda maior bancada do partido é a de Minas Gerais'', declarou. Também rejeitou a tese de que teve entre seus principais cabos eleitorais os deputados investigados no escândalo do mensalão que foram defendidos por Moreira no Conselho de Ética. O deputado votou contra a cassação de oito dos doze investigados no conselho.
Moreira disse que não defende o fim do conselho, mas voltou a defender que o Judiciário é a melhor instância para decidir o futuro de parlamentares suspeitos. ''Precisamos evitar que amanhã um colega tenha o mandato cassado e depois seja absolvido pela Justiça. O erro é irreparável'', afirmou. (D.M. e L.N.L.)





