Deputado Miguel Arraes morre aos 88 anos
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sábado, 13 de agosto de 2005
Fábio Guibu<br> Folhapress 
Recife - Morreu na manhã de ontem em Recife (PE), vítima de infecção generalizada, o presidente nacional do PSB, deputado federal Miguel Arraes de Alencar, 88. O parlamentar estava internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Esperança havia 57 dias. Os locais e horários do velório e do enterro não haviam sido divulgados até as 13h30.
O estado de saúde de Arraes agravou-se na madrugada de ontem, com a constatação de que a infecção pulmonar, problema que o levou ao internamento, havia se generalizado. Sua pressão sanguínea caiu bruscamente, e, às 11h40, ele morreu.
Fumante por 72 anos, o deputado foi hospitalizado no dia 17 de junho, inicialmente com suspeita de dengue. Durante o período de tratamento, o parlamentar apresentou ainda problemas cardíacos e renais.
Nos últimos dias, Arraes vinha alternando momentos de crise e lucidez. Até a noite de sexta-feira, ele estava ''consciente e orientado'', segundo a equipe médica. Sua pressão arterial, entretanto, vinha sendo mantida com a ajuda de medicamentos. Máquinas ajudavam-no a controlar a respiração. Os rins pararam de funcionar na semana passada, obrigando os médicos a submetê-lo a sessões diárias de hemodiálise.
Miguel Arraes de Alencar nasceu em 1916, em Araripe (CE), mas construiu sua carreira política em Pernambuco, Estado que governou por três vezes. Formado em direito, o deputado era aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de manter divergências políticas com o PT pernambucano. Seu neto e único herdeiro político, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo Campos, é pré-candidato ao governo em 2006.
Quase mitificado no interior do Estado, onde era tido como intransigente defensor dos pobres, Arraes foi deposto pela ditadura militar, em 1964, durante seu primeiro mandato no governo. Preso por quase um ano na ilha de Fernando de Noronha, conseguiu um habeas corpus e buscou exílio na Argélia, onde permaneceu até 1979. Beneficiado pela Lei da Anistia, retornou a Recife em setembro daquele ano, sendo recebido e carregado nos braços por uma multidão.
Em 1986, conquistou seu segundo mandato como governador, derrotando José Múcio Monteiro. Em 1994, retornou ao poder pela terceira vez, batendo nas urnas Gustavo Krause. Nesse mandato, foi acusado, com seu neto e então secretário da Fazenda, de envolvimento em irregularidades com a negociação de precatórios. Os dois foram inocentados pela Justiça, mas o episódio abalou sua campanha para a reeleição, em 1998.
Disputando o cargo com o ex-aliado Jarbas Vasconcelos (PMDB), Arraes, tido até então como um político imbatível nas urnas, sofreu sua maior derrota política. Jarbas foi eleito com um milhão de votos de diferença.


