Deputado governista se casa com protesto em frente à igreja
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sexta-feira, 22 de maio de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
Uma turba de servidores estaduais se concentrou ontem em frente à Paróquia São Vicente de Paulo, na Avenida Madre Leônia Milito (zona sul), em Londrina, onde ocorreu o casamento do deputado estadual Tiago Amaral (PSB), para protestar contra o posicionamento dele em relação à votação da alteração da Paranaprevidência. Membro da base de apoio do governador Beto Richa (PSDB), a represália contra o parlamentar já ocorria ainda no site do casamento.
Os manifestantes ainda constrangeram convidados com cartazes, apitos e palavras de ordem contra o parlamentar. Os noivos, seus pais e padrinhos, entretanto, entraram pelos fundos e não foram vistos.
O protesto começou a ser organizado, segundo participantes, durante a assembleia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na manhã de quinta-feira. A concentração teve início por volta das 17h30, mas o auge foi às 19h, próximo do horário da cerimônia, marcada para as 20h. Por volta das 18h, um dos manifestantes subiu no capô do veículo do conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, Durval Amaral, que é pai do noivo, jogou algumas notas falsas e o carro foi liberado para seguir.
Com a efervescência do protesto, a Polícia Militar fortaleceu a movimentação nos arredores, mas não se aproximou dos manifestantes. Por volta das 19h30, fecharam o trânsito na avenida a partir da esquina com Garibaldi Deliberador, sentido Higienópolis.
O presidente da APP-Sindicato, que representa os professores da rede estadual, disse que a manifestação não foi promovida pela entidade, mas organizada pelos próprios servidores. "Só estamos aqui para ajudar a conduzir e evitar confrontos. Não é por que aconteceu o 29 de abril com a gente que vamos responder da mesma maneira", afirmou.
O professor do curso de Medicina Veterinária da UEL, o mineiro Ulisses Pereira classificou a cerimônia não como casamento, mas como funeral e defendeu sua posição como forma de lutar por seus direitos. Ele admitiu que a situação provocada em frente à igreja é muito difícil, mas que o noivo é homem público. "Se ele votou contra a educação e os servidores, tem de estar pronto para enfrentar essa represália", opinou.
O servidor Rodrigo Moreira, que veio de Cambé, brincava enquanto a cerimônia seguia a portas fechadas: "Casamento do Tiago Amaral: eu fui", em alusão a postagens comuns sobre eventos em redes sociais na internet. Segundo ele, o protesto é uma forma de "massacrar a vida política e pessoal" do deputado.
A maioria dos convidados deixou a igreja às escondidas, mas quem deixou a igreja pelo portão frontal voltou a ouvir palavras como "cúmplices" e "vergonha". A maioria se recusou a dar opinião sobre o protesto. Um deles, que não quis se identificar, questionou a "educação dos professores" por perturbar o momento de intimidade. Uma outra convidada disse, de longe: "É um absurdo, isso não é democracia".
Mais político, o ex-presidente do PMDB em Londrina e gerente regional da Sanepar, Sérgio Bahls, disse que todos têm direito a se manifestar. "É um momento religioso, único, mas a manifestação é parte da democracia", afirmou.
Ao fim da cerimônia, os convidados seguiram para a festa no Buffet Planalto. Os servidores os seguiram.


