A condenação do deputado Sérgio Naya (sem partido-MG) pelo plenário da Câmara vai afastá-lo de cargos políticos este ano e pelos oito seguintes. Esse é o período em que o deputado não poderá ocupar mandato eletivo, de acordo com a Lei das Inelegibilidades. O resultado do julgamento de ontem deverá influenciar, também, a decisão da Comissão de Ética do PPB, que terá de se pronunciar se mantém a expulsão de Naya.
‘‘A Câmara agiu de acordo com o clamor popular’’, comemorou à noite o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), um dos maiores interessados na cassação de Sérgio Naya. A atuação de Temer no comando da Casa estava em jogo e vários deputados, como o corregedor da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), criticaram a condução do processo feita por Temer. ‘‘Com esse tratamento desigual para Naya e o deputado Pedrinho Abrão (que será o próximo a ser julgado pelo plenário), o presidente pode ajudar a absolver Naya’’, avaliava Cavalcanti, no início da tarde.
Mas o resultado do julgamento foi um alívio para todos que temeram a vitória de Naya. ‘‘Foi um sufoco, fiquei apavorado durante a votação’’, disse o deputado José Genoíno (PT-SP). ‘‘A Câmara fez justiça ao não se entregar ao corporativismo, mas é preciso fazer um alerta de que este é apenas o primeiro capítulo de uma agenda que inclui cassação de outros deputados, o projeto de Código de Ética Parlamentar e a proposta que restringe a imunidade parlamentar’’, observou o líder do PT, deputado Marcelo Déda (SE).
‘‘Confesso que estou angustiado’’, admitiu o deputado José Borba (PTB-PR) ao deixar o plenário, à noite. Borba é um dos próximos a ser julgado pela Câmara, por ter fraudado pelo menos quatro votações da reforma previdenciária ao votar em lugar do deputado Valdomiro Meger (PFL-PR). Poucos deputados defenderam Sérgio Naya publicamente. O deputado José Costa (PSD-AL) foi o único que subiu à tribuna para falar em favor do colega. Costa apresentou uma questão de ordem tentando suspender a votação, alegando que o parlamentar deveria ter um julgamento jurisdicional. Temer rejeitou o pedido: ‘‘Este julgamento é político’’, resumiu Costa.
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem à noite que ficou ‘‘tenso e perturbado’’ no início da apuração da votação que decidiu pela cassação do mandato do deputado Sérgio Naya, quando a diferença favorecia ao parlamentar. ‘‘No início eu fiquei perturbado, sinceramente perturbado’’, afirmou. (AE)

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