Curitiba - Testemunhas já ouvidas pela polícia teriam confirmado que o deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) estava embriagado e dirigia em alta velocidade no momento do acidente que matou dois jovens na última quinta-feira, dia 7. Segundo o promotor responsável pelo caso, Rodrigo Regneir Chemim Guimarães, garçons do restaurante onde Carli Filho teria jantado informaram que o parlamentar consumiu vinho e aparentava estar visivelmente embriagado.
Já outras duas testemunhas, um funcionário do posto de gasolina que fica em frente ao local do acidente e o motorista do carro que estava atrás das vítimas, teriam afirmado que o carro do deputado estava em alta velocidade no momento do impacto. ''O motorista desse carro que estava atrás do Honda Fit (veículo que era dirigido por Gilmar Rafael Yared, 26 anos, morto no acidente) afirmou inclusive que o Passat saiu do solo antes da batida.''
A promotoria também já obteve imagens registradas pela câmera do posto. ''O vídeo mostra o carro dos jovens fazendo a conversão à esquerda e sendo atingido pelo Passat do deputado'', relatou. Para o promotor, apesar da má qualidade do vídeo, as imagens permitem verificar que o Passat preto dirigido por Carli Filho estava em alta velocidade.
Apesar das informações coletadas, o Ministério Público ainda aguarda que o Instituto de Criminalística determine a velocidade em que Carli Filho transitava. Chemim também já solicitou ao Hemobanco, instituição ligada ao Hospital Evangélico, que não descarte as amostras de sangue colhidas do deputado para que estas sejam enviadas ao Instituto Médico Legal (IML) para análise.
Segundo o promotor, o Hemobanco já confirmou que há amostras de sangue do deputado que foram colhidas no dia do acidente e que não teriam sido descartadas pelo laboratório.''Estamos providenciando as medidas legais necessárias para obter essas amostras.''
Contudo, a realização dos exames toxicológico e de dosagem alcoólica só serão realizados caso a quantidade de sangue obtida pelo IML seja compatível com as exigências legais. ''Mas mesmo que não seja possível realizar os exames já temos provas testemunhais e documentais de que ele estaria embriagado'', afirmou Chemim.
Entre essas evidências está o relatório dos socorristas que atenderam o parlamentar logo após o acidente. No documento, os bombeiros do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) registraram que ele estava com ''hálito etílico''.
Para o advogado da família Yared, Elias Mattar Assad, as informações divulgadas pelo promotor apontam que o próximo passo na investigação deverá ser o indiciamento do deputado. ''Está muito claro que estamos próximos disso e da convocação de Carli Filho para depor'', defendeu.

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