Deputado eleito confirma que recebeu dinheiro de gabinete
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O deputado estadual eleito Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) confirmou ontem ter recebido R$ 9 mil do chefe de gabinete da liderança do PMDB, Paulo Gomes Júnior, que tinha procuração de sete funcionários para sacar as verbas depositadas em suas contas e transferi-las para outras, previamente definidas. Além de Romanelli, teriam recebido dinheiro desta forma o líder do PMDB à epóca, Nereu Moura (PMDB), a jornalista Rosângela Chrispim Calixto e Tani Lemos do Prado Colaço. Todos foram denunciados pelos Ministérios Públicos (MP) federal e estadual por improbidade administrativa, crime contra a fé pública, falsidade ideológica e crime contra a ordem tributária.
Romanelli convocou ontem a imprensa para dizer que está sendo alvo de uma perseguição política desencadeada pelo empresário Joel Malucelli. A perseguição teria iniciado após Romanelli questionar administrativamente a escolha do Consórcio Energético Cruzeiro do Sul, integrado pela Eletrosul Centrais Elétricas e pela Copel Geração, em implantar e colocar em operação a Usina Hidrelétrica Mauá. ''Estão promovendo uma campanha difamatória contra mim. O Joel (Malucelli) responde com violência aos direitos humanos um questionamento que fiz como cidadão'', afirmou, em entrevista coletiva. O parlamentar disse que recebeu o dinheiro como pagamento de um empréstimo feito para Gomes Júnior (afilhado de Romanelli).
''Ele pagou o empréstimo que fiz a ele. Não sabia como ele fazia isso. Mas não acredito que tivesse qualquer irregularidade. Eu nem era mais deputado quando isso aconteceu. Acho que a denúncia é injusta contra a liderança do PMDB. Os gabinetes funcionam sempre dessa forma em muitos lugares: com procurações. Vários gabinetes da Assembléia adotam essa prática. Pode favorecer a irregularidade, mas a questão é subjetiva'', analisou Romanelli. O parlamentar alegou que no gabinete dele nunca foi usado este tipo de expediente. Romanelli apenas considera suspeita a contratação de uma funcionária fantasma na liderança do PMDB, fato que faz parte da denúncia.
Romanelli disse que nunca teve problema pessoal com Joel Malucelli. Tanto que chegou a receber R$ 10 mil na campanha eleitoral do Paraná Banco. ''Não é uma questão pessoal. É uma questão pública. Ele (Joel) é que está levando o fato para a área pessoal'', disse. As matérias divulgadas nas rádios de Malucelli não trouxeram o nome de Nereu Moura ou de qualquer outra pessoa denunciada pelo MP - o que, na opinião de Romanelli, comprovaria a intenção de feri-lo pessoalmente e denegrir a imagem dele.
Malucelli foi procurado pela Folha e negou que esteja querendo se vingar do parlamentar. ''Não se trata de retaliação. O nome dele (Romanelli) é que está sujo. Ele é visado pela Justiça e responde vários processos. Acho que ele tem que responder pela vida dele'', disse o empresário.
Malucelli também negou que esteja manipulando as informações dadas em suas emissoras de rádio. ''Não tenho acompanhado as matérias e nunca houve nenhuma recomendação minha para falar sobre este ou aquele. As minhas rádios são pautadas pela imparcialidade'', defendeu.


