O deputado federal José Mohamed Janene (PP) completa 11 anos consecutivos de mandato na Câmara dos Deputados. Apesar de ser filiado a partido político desde 1981, Janene somente disputou um cargo público em 1994. Desde então, conquistou três mandatos seguidos, todos pelo PP, partido ao qual é filiado desde 1992. Janene também já integrou o PMDB (1981/1986), e o PDT (1987/1992).
Com um bom trânsito entre os colegas de partido, e entre os parlamentares do PTB e PT, Janene foi líder do PP entre 2005 e 2006. Ele se afastou da função e do mandato em setembro de 2005 para se submeter a um implante de células tronco para o tratamento de uma grave doença cardíaca. Desde que foram iniciadas as investigações sobre o seu envolvimento no chamado escândalo do mensalão, há quase 14 meses, Janene não compareceu ao plenário. Ele se licenciou do cargo e não participou das 111 seções realizadas este ano. O parlamentar também faltou aos trabalhos entre 5 de junho e 5 de novembro, período em que não solicitou afastamento. Atualmente, ele está licenciado até o dia 4 de janeiro.
Natural de Santo Inácio (111 km ao norte de Maringá), Janene tem Londrina como base política. O envolvimento com a política local também lhe rendeu várias ações por ato de improbidade administrativa, onde é citado por suposta participação no desvio de recursos dos cofres municipais através do escândalo AMA-Comurb, na administração de Antonio Belinati (PP), entre 1997/2000.
É também em Londrina e na região que Janene concentra seu patrimônio. Um levantamento feito pela revista ''Isto É'', em junho de 2005, apontou que Janene e sua mulher, Stael Fernanda, adquiriram entre 2003 e 2004 - período em que teria sido operado o mensalão - cerca de R$ 6,7 milhões em bens móveis e imóveis, entre eles, mais de 100 alqueires de terra em Lerroville, distrito de Londrina, avaliados em mais de R$ 2 milhões.
As declarações de bens apresentadas por Janene à Justiça Eleitoral para disputar as eleições de 1994, 1998 e 2002, mostram ele teve uma evolução patrimonial no período em que exerceu o mandato. Na primeira eleição que disputou, Janene declarou patrimônio de CR$ 3.879.538,00 (cruzeiros reais). Conforme a declaração, ele tinha um apartamento em Meia Praia (SC), quotas de capital na empresa Eletrojan Iluminação e Eletricidade Ltda., e Pedagógica Livraria e Editora Ltda., um automóvel Monza GL 93/94, financiado; um Fiat Tipo 93/94, e CR$ 56,9 mil em prestações pagas ao Sistema Financeiro de Habitação (SFH) referentes a um apartamento financiado no Residencial Novo Mundo.
Na declaração de bens de Janene em 1998, consta, em relação à eleição anterior, que ele teria adquirido dois apartamentos, avaliados em R$ 325,3 mil; dois lotes de terras por R$ 357 mil; uma sala comercial de R$ 28,3 mil; um carro e dois caminhões por R$ 15 mil; quotas de capital da empresa Transamérica S/C, por R$ 1,7 mil; e uma cadeira e um estacionamento no Estádio do Café, avaliados em R$ 340. Dois apartamentos e um lote de terras que juntos somaram R$ 119,1 mil, foram entregues em 96, ao Banestado em dação de pagamento de dívidas por aval a terceiros.
Já na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral para a disputa das eleições de 2002, consta que o patrimônio - de R$ 931.198,61 - aumentou em R$ 22,3 mil em relação a declaração de 1998.
Janene ainda espera pela análise do pedido de aposentadoria por invalidez.

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