Maringá - O ministro indicado da Agricultura, Odílio Balbinotti (PMDB), é um dos réus numa ação popular movida por Edvaldo José Trindade, em Maringá. Trindade questiona a não-inclusão de Balbinotti numa ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) por improbidade administrativa, contra 22 acusados, entre eles, o ex-prefeito Jairo Gianotto (na época filiado ao PSDB), o ex-secretário da Fazenda da prefeitura Luiz Antônio Paolicchi e o ex-deputado José Borba (PMDB-PR).
De acordo com a ação popular, o ministro indicado teria recebido um cheque de R$ 90,5 mil da administração municipal, usado pelo ex-prefeito de Maringá para pagamento de produtos agrícolas. ''Teria de ter devolvido o dinheiro, mesmo alegando não saber que não era dinheiro legal'', argumentou o advogado de Trindade, Carlos Eduardo Buchweitz.
Por determinação da Justiça, o processo foi juntado à representação original, que é a ação civil pública movida pelo MPE, pois o fato envolvendo o nome de Balbinotti está transcrito nesta. A explicação do ministro indicado, que consta do processo que corre em segredo de Justiça, foi relatada hoje pelo assessor dele na época Ângelo Rigon. Segundo Rigon, Gianotto teria comprado sementes de soja da empresa Sementes Adriana, da família Balbinotti.
O ex-prefeito deu um cheque próprio, mas foi usado pela Sementes Adriana para pagar uma compra na Produquímica, de São Paulo. A ordem de pagamento voltou por não ter fundos e a Produquímica entrou em contato com a empresa de Balbinotti, que cobrou de Gianotto. O ex-prefeito disse que resolveria a questão diretamente com a empresa paulista e pegou um cheque administrativo de Paolicchi, então secretário de Fazenda da prefeitura, que, segundo a suspeita do Ministério Público, era um dos chefes do esquema de desvio de recursos públicos.
De acordo com o ex-assessor de Balbinotti, Gianotto procurou uma agência bancária em Campo Grande e fez o depósito, colocando o nome no documento. Segundo Rigon, para esclarecer o caso, um assessor de Balbinotti foi ao Mato Grosso do Sul e conseguiu uma cópia do documento com a assinatura de Gianotto. ''Esta tornou-se uma das provas mais fortes do desvio de recursos públicos'', disse. Esse fato foi relatado nas investigações feitas por Cruz. ''Por esse fato, asseguro que não há envolvimento do Odílio Balbinotti'', afirmou o promotor.
Também constam na listagem do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná outros três processos envolvendo o nome do deputado. Dois foram arquivados. Permanece em aberto um processo em que Balbinotti e outros interessados pedem anulação de débito fiscal ao governo do Estado, em relação a impostos de aviões.

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