Com o discurso de que o PT é mais amplo do que o governo e que, portanto, precisa ser mais autônomo, propositivo e crítico em relação à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Democracia Socialista (DS), principal tendência de esquerda da legenda, lançou ontem, em São Paulo, o deputado Raul Pont (RS) como candidato a presidente nacional da sigla.
  ‘‘O governo federal é o nosso governo, mas precisamos encontrar um espaço correto entre dar sustentação ao governo Lula e, ao mesmo tempo, estar à frente, debatendo com a sociedade. Temos um equilíbrio a ser buscado’’, defendeu o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, único representante da corrente no governo federal.
  No encontro, que reuniu cerca de 200 pessoas num hotel da capital paulista, a principal ausência sentida foi a da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, que até às 12h30 de hoje, não havia participado de nenhuma plenária do grupo, que encerra amanhã (24) as discussões sobre os rumos da agremiação.
  O lançamento da candidatura de Pont, na avaliação de Rossetto, não pode ser interpretado como um gesto de oposição à administração Lula. Na semana passada, porém, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, fez um apelo às correntes do PT para que houvesse unidade em torno da candidatura do presidente nacional do partido, José Genoino. O pedido foi ignorado até mesmo pelo Movimento PT, corrente do centro, que vinha, até então, atuando em sintonia com o Campo Majoritário, de Genoino e Dirceu, e que detém cerca de 60% das vagas do diretório nacional da legenda.
  No domingo (17), o Movimento PT lançou a deputada Maria do Rosário (RS) também como candidata a presidente nacional da legenda, cuja eleição está marcada para setembro.
  Hoje, o ministro do Desenvolvimento Agrário insistiu que a sigla tem de ter uma agenda em relação ao Poder Executivo. Rossetto defendeu a necessidade da realização da reforma política e do que chamou de atualização da agenda de desenvolvimento econômico e social. Sem fazer críticas diretas ao presidente nacional do PT, ele afirmou: ‘‘O PT não pode, simplesmente, homologar as decisões do governo. O presidente do partido não é um ministro’’, bradou, acrescentando que o momento é de realização de um debate ‘‘com menos adjetivos e mais substantivo’’.
  Já oficializado candidato a presidente nacional da agremiação pela DS, Pont destacou que vai procurar agora outras correntes da esquerda do partido para tentar conseguir apoio à disputa. O deputado gaúcho não descarta a possibilidade de abrir mão da candidatura para conseguir um consenso na esquerda. Além da DS, a Articulação de Esquerda e a Ação Popular Socialista (APS) estudam ter candidatos próprios para a presidência do PT.

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