Deputado do RJ ficará inelegível até 2015
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de maio de 2005
Das agências 
Brasília - Acusado de tentar extorquir R$ 4 milhões do empresário de jogos Carlos Cachoeira, o ex-deputado federal André Luiz (sem partido-RJ) ficará inelegível até o ano de 2015. O mandato dele foi cassado quarta-feira à noite pela Câmara por 311 votos favoráveis, 104 contra, 33 abstenções e três votos em branco. A cassação faz parte de um movimento dos parlamentares para tentar resgatar a credibilidade da Câmara.
O ex-deputado não apareceu na Câmara ontem. Em seu gabinete, funcionários recolheram seus objetos e, durante a tarde, a faxina já era feita para que o novo inquilino assumisse. Em meio ao lixo que era recolhido, vários cartões de apresentação e de agradecimento.
O advogado de André Luiz, Michel Saliba, afirmou que deverá entrar com recurso no Supremo Tribunal Federal contra a decisão. O argumento é que a Câmara teria violado a Constituição ao permitir a votação da cassação mesmo com a pauta trancada por medidas provisórias com prazo de tramitação vencido.
A Câmara realizou, na semana passada, uma nova interpretação do regimento e argumentou que votações como cassação de mandato poderiam furar a fila das MPs.
Na tentativa de manter seu mandato parlamentar, André Luiz apelou à intimidação e a ameaças. Quarta-feira de manhã ele revelou, em entrevista, a existência de uma suposta fita na qual deputados estariam tratando de dinheiro com o empresário de jogos Carlos Cachoeira. Mas não citou nenhum nome. André Luiz insinuou ainda que deputados da Comissão de Defesa do Consumidor, da qual já foi integrante, estariam envolvidos em supostas questões ligadas a extorsão. Novamente ele não foi objetivo nem falou em nomes.
Se ele tem isso, deve expor à sociedade. Ninguém pode encobrir criminosos. Se têm outros deputados na posição dele, que exponha os nomes para nós e a Câmara tomará as providências necessárias, reagiu o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE).
O relator do pedido de cassação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), contou que foi procurado pelo deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ), que já foi bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, que temia por uma eventual reação violenta de André Luiz. De acordo com Fruet, Rodrigues lhe disse que, caso André Luiz tivesse seu mandato cassado, o mataria.
Se o senhor que é bispo diz isso, imagine eu que nunca fui nem sacristão, disse Fruet ao deputado. Não sou bicho-papão. Sou homem de bem, respondeu André Luiz, quando foi questionado sobre supostas ameaças a parlamentares.


