Agência Estado
O corregedor-geral da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), afirmou ontem que a presença do deputado Wanderley Martins (PDT-RJ) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico ‘‘desmoraliza’’ os trabalhos do grupo. O corregedor defendeu o afastamento, pelo PDT, de Martins da comissão, em razão das suspeitas de ligação do parlamentar com o crime organizado.
‘‘Se é o Ministério Público Federal (MPF) que investigou, não se pode dizer que o caso foi motivado por perseguição política ao deputado’’, afirmou Cavalcanti, acrescentando que as acusações contra o parlamentar são ‘‘contundentes’’ e ‘‘graves’’. ‘‘Se for comprovada a denúncia, acredito que o deputado não pode fiscalizar ninguém na comissão’’, afirmou Cavalcanti.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse que a Casa poderá apurar o caso, se for encaminhado um pedido formal à Mesa Diretora. Ele evitou opinar sobre um possível afastamento do pedetista da CPI. ‘‘Estão pedindo para tomar uma decisão por ele, mas, se fosse comigo, saberia o que fazer’’, declarou Temer.
Pelas regras na Câmara, um deputado somente pode ser afastado a pedido do próprio parlamentar ou do partido dele. Hoje o corregedor deve discutir o caso envolvendo Martins em reunião da Mesa da Câmara.
Ele disse que poderá requisitar os inquéritos – um que trata da suspeita de ligação do parlamentar com o acusado de tráfico Walter Gomes de Carvalho Filho, mais conhecido como ‘‘Valtinho’’, e outro em que ele é investigado por corrupção – que estão tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 1997, o deputado foi filmado ao lado de ‘‘Valtinho’’, durante um churrasco em comemoração à inauguração da sede de Associação dos Moradores do Morro Boavista, em Niterói.
O fato ocorreu em 31 de maio daquele ano, quando o deputado estava licenciado da função de delegado da Polícia Federal (PF) por ser candidato a uma vaga na Câmara. O caso, que motivou a abertura de um inquérito pelo MPF, está tramitando no STF pelo fato de envolver um parlamentar.
Há ainda um inquérito por corrupção na PF que se arrasta desde 1994 envolvendo o pedetista. Ele recebeu um depósito bancário no valor correspondente a US$ 2,5 mil do doleiro libanês Elias Kanaan, acusado de lavagem de dinheiro e contrabando de armas.
No Amazonas, outro parlamentar está complicado. A Delegacia de Crimes Fazendários da Polícia Federal do Amazonas iniciou ontem uma ampla investigação sobre o suposto envolvimento do deputado federal Silas Câmara (PTB-AM) com falsidade ideológica, bigamia, contrabando e narcotráfico.
Também membro da CPI do Narcotráfico na Câmara e presidente regional do PTB, Câmara terá de explicar ao delegado Carlos Santos por que possui dois Cadastros de Pessoa Física (CPFs). O pedido de investigação saiu sem a permissão do Supremo Tribunal Federal (STF), instância que deveria autorizar a investigação, uma vez que o parlamentar tem foro privilegiado.