Deputado do PT quer o fim dos jetons
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de março de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) começou um movimento para que a Assembléia Legislativa do Paraná pare de pagar jetom aos deputados por sessões extraordinárias. Por enquanto, ele trabalha isolado e encontra resistência dentro da própria bancada. Cada deputado que participa de uma extraordinária embolsa R$ 400,00, além do salário mensal de R$ 9,5 mil, fora as mordomias.
O Regimento Interno da Casa prevê que podem ser pagos, no máximo, oito jetons por mês, mesmo que sejam feitas mais de oito sessões extraordinárias. Ou seja, cada deputado pode ganhar em um mês R$ 3,2 mil, além do salário, o que representaria R$ 172,8 mil somente em jetons.
Veneri considera uma ''demagogia'' não debater o fim do jetom. ''Não podemos nos esquecer que somos homens públicos e temos que prestar contas'', afirmou.
A líder do partido na Casa, Luciana Rafagnin, permitiu a discussão do assunto nas reuniões, mas não se chegou a um consenso. Na verdade, a maioria está contente com o recebimento. Veneri pretende expor seus argumentos na reunião do diretório estadual do PT, hoje e amanhã em Curitiba.
A postura de Veneri contra o jetom tem o respaldo do deputado Elton Welter, que considera o benefício ''imoral'', lembrando que algumas sessões extraordinárias duram em torno de cinco minutos. ''É no mínimo estranho receber por isso.'' Este ano ainda não foi feita nenhuma sessão extra, o que levou alguns deputados, nos bastidores, a acusar Veneri de ''antecipar'' a discussão. Veneri refuta essa tese. ''Critiquei essa prática durante a campanha. É uma questão de coerência'', apontou. ''Dizem que não há dinheiro para informatizar os gabinetes da Assembléia. Pois com o dinheiro que seria economizado podem começar''.
O deputado André Vargas, presidente estadual do PT, tem opinião diferente. Ele acredita que receber ou não o jetom deve ser uma decisão de cada deputado. ''Ilegal não é. É uma decisão de foro íntimo'', opinou.
Para o líder do governo, Angelo Vanhoni (PT), Veneri precisa apresentar projeto para mudar o Regimento Interno, se quiser acabar definitivamente com o jetom. ''Até podemos votar favoravelmente, desde que ele apresente a proposta''.
A Folha tentou ouvir ontem o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), mas ele não foi localizado.


