Deputado do PL renuncia para evitar cassação
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sexta-feira, 09 de setembro de 2005
Silvio Navarro<br> Folhapress 
Brasília - Apontado como beneficiário do suposto esquema do
mensalão, o deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ) decidiu renunciar ao seu mandato na próxima segunda-feira para escapar de um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara, segundo informou o deputado João Caldas (PL-AL). Segundo Caldas, a decisão de Rodrigues foi comunicada ontem, por telefone. Caldas é o quarto secretário da Casa. De acordo com ele, o pedido de renúncia já está redigido e guardado no gabinete de Rodrigues.
O nome de Rodrigues aparece na lista de 18 deputados elaborada pelas CPIs dos Correios e do Mensalão relacionados como supostos beneficiários do esquema do mensalão. Ele teria recebido R$ 400 mil das contas do publicitário Marcos Valério de Souza, apontado como operador do mensalão.
O requerimento [solicitando a renúncia] está pronto, e ele [Rodrigues] protocola na segunda-feira. Ele não virá nem a Brasília, disse João Caldas. Ele acha que não vai ter como explicar porque, por mais plausível que seja dizer que era dinheiro de campanha, ninguém quer entender e ele não vai pagar para ver, completou.
Caldas disse ainda que a decisão de Rodrigues foi uma questão de foro íntimo, tomada sem consulta aos deputados do partido, e que o colega vive uma situação crítica. Segundo ele, Rodrigues não deverá tentar voltar à Câmara nas próximas eleições porque avalia ter perdido a maior parte do seu eleitorado quando foi afastado da Igreja Universal do Reino de Deus.
Rodrigues perdeu a condição de bispo da igreja por ter sido acusado de envolvimento com o ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, flagrado negociando propinas. Ele também é suspeito de ter recebido propina de empresários de jogos quando presidiu a Loterj (loterias do Rio), em 2001 e 2002.
A lista das CPIs com os nomes dos deputados que teriam envolvimento no esquema do
mensalão chegará à Mesa da Câmara no início da próxima semana. Rodrigues será o segundo parlamentar a renunciar ao mandato devido ao escândalo do mensalão, denunciado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) cujo nome integra a lista das CPIs. O primeiro foi o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que deixou a Casa no dia 1º de agosto.
Outros dois deputados do PL também aparecem na lista das CPIs: o líder da bancada, Sandro Mabel (GO), acusado de ter oferecido R$ 1 milhão de luvas e mais R$ 30 mil mensais para que a deputada Raquel Teixeira
(PSDB-GO) fosse para o PL; e Wanderval Santos (SP), cujo nome de um assessor figura como beneficiário de um saque de
R$ 150 mil. Wanderval diz que mandou um motorista ao Banco Rural sacar dinheiro a pedido de Carlos Rodrigues.
Procurado pela reportagem, o deputado Carlos Rodrigues não foi localizado ontem nem em Brasília nem no Rio. Em seu gabinete, sua secretária afirmou ter perdido o contato com ele nesta semana.


