Brasília - Apontado como beneficiário do suposto esquema do
‘‘mensalão’’, o deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ) decidiu renunciar ao seu mandato na próxima segunda-feira para escapar de um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara, segundo informou o deputado João Caldas (PL-AL). Segundo Caldas, a decisão de Rodrigues foi comunicada ontem, por telefone. Caldas é o quarto secretário da Casa. De acordo com ele, o pedido de renúncia já está redigido e guardado no gabinete de Rodrigues.
  O nome de Rodrigues aparece na lista de 18 deputados elaborada pelas CPIs dos Correios e do Mensalão relacionados como supostos beneficiários do esquema do ‘‘mensalão’’. Ele teria recebido R$ 400 mil das contas do publicitário Marcos Valério de Souza, apontado como operador do ‘‘mensalão’’.
  ‘‘O requerimento [solicitando a renúncia] está pronto, e ele [Rodrigues] protocola na segunda-feira. Ele não virá nem a Brasília’’, disse João Caldas. ‘‘Ele acha que não vai ter como explicar porque, por mais plausível que seja dizer que era dinheiro de campanha, ninguém quer entender e ele não vai pagar para ver’’, completou.
  Caldas disse ainda que a decisão de Rodrigues ‘‘foi uma questão de foro íntimo’’, tomada sem consulta aos deputados do partido, e que o colega vive uma ‘‘situação crítica’’. Segundo ele, Rodrigues não deverá tentar voltar à Câmara nas próximas eleições porque avalia ter perdido a maior parte do seu eleitorado quando foi afastado da Igreja Universal do Reino de Deus.
  Rodrigues perdeu a condição de bispo da igreja por ter sido acusado de envolvimento com o ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, flagrado negociando propinas. Ele também é suspeito de ter recebido propina de empresários de jogos quando presidiu a Loterj (loterias do Rio), em 2001 e 2002.
  A lista das CPIs com os nomes dos deputados que teriam envolvimento no esquema do
‘‘mensalão’’ chegará à Mesa da Câmara no início da próxima semana. Rodrigues será o segundo parlamentar a renunciar ao mandato devido ao escândalo do ‘‘mensalão’’, denunciado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) –cujo nome integra a lista das CPIs. O primeiro foi o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que deixou a Casa no dia 1º de agosto.
  Outros dois deputados do PL também aparecem na lista das CPIs: o líder da bancada, Sandro Mabel (GO), acusado de ter oferecido R$ 1 milhão de ‘‘luvas’’ e mais R$ 30 mil mensais para que a deputada Raquel Teixeira
(PSDB-GO) fosse para o PL; e Wanderval Santos (SP), cujo nome de um assessor figura como beneficiário de um saque de
R$ 150 mil. Wanderval diz que mandou um motorista ao Banco Rural sacar dinheiro a pedido de Carlos Rodrigues.
  Procurado pela reportagem, o deputado Carlos Rodrigues não foi localizado ontem nem em Brasília nem no Rio. Em seu gabinete, sua secretária afirmou ‘‘ter perdido o contato’’ com ele nesta semana.

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