Folhapress
  Brasília - Afirmando ‘‘não querer prolongar uma ago-nia’’, o deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ) renunciou ontem ao mandato para evitar enfrentar um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara. Ele é o segundo parlamentar a deixar a Casa na
esteira do escândalo do
‘‘mensalão’’ - o primeiro foi o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
  A renúncia de Rodrigues, que havia sido anunciada na semana passada por João Caldas (PL-AL), foi protocolada ontem na secretaria-geral da Câmara às 11h59 e lida em plenário por volta das 14h, na abertura da sessão. O texto enviado à direção da Casa não trouxe nenhuma justificativa. Ele será substituído pelo suplente Reinaldo Gripp Lopes (PL-RJ).
  O nome de Rodrigues aparece na lista de 18 deputados elaborada pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, relacionados como beneficiários do suposto esquema. Ele teria recebido R$ 400 mil das contas do publicitário Marcos Valério de Souza, apontado como operador do esquema.
  O deputado afirmou ontem ter recebido R$ 250 mil repassados por Valério, dinheiro que, segundo ele, foi utilizado para quitar dívidas referentes ao segundo turno da campanha que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. À época, Rodrigues já presidia o PL no Rio.
  ‘‘No primeiro turno [da eleição de 2002], apoiei o Garotinho [Anthony] para presidente. Depois, fui chamado pelo deputado Valdemar para que apoiasse o presidente Lula. Apoiei, fiz dívida do partido, e o Valdemar mandou que eu recebesse o dinheiro em dezembro de 2003’’, disse.
  ‘‘Fiz a campanha do Lula, mas não saio magoado porque o presidente Lula também não sabia nada disso. Acho que algumas pessoas no PT se comportaram sem a capacidade de gerir, digo que foram como donos de botequim gerindo a Petrobras.’’
  Rodrigues evitou citar nomes, mas afirmou ter ficado surpreso com a atitude de petistas tidos como ‘‘proeminentes figuras, que só falavam em ética’’.
‘‘Quem é que ia imaginar que um partido com tantas proeminentes figuras, pessoas que só falavam em ética e correção, e pessoas que participaram de CPIs, quebraram sigilos, sabiam que jamais poderiam cometer um erro desses...’’
  Ele também procurou isentar o ex-ministro José Dirceu no caso. ‘‘Gosto do Zé Dirceu, tenho muito respeito e amizade por ele e não posso fazer juízo de valor sobre se ele deve pagar ou não.’’
  Com a renúncia, Rodrigues poderá concorrer às eleições do próximo ano, embora afirme que deverá abandonar a vida pública. ‘‘Nem sei se fico na vida pública. Minha vontade, hoje, é sair da vida pública.’’
  Antes de ter seu nome envolvido no caso do ‘‘mensalão’’, ele já havia sofrido desgaste político e perdera a condição de bispo da Igreja Universal do Reino de Deus por ter sido acusado de envolvimento com o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, flagrado negociando propinas. Até então, ele era conhecido como Bispo Rodrigues. Ele também é suspeito de ter recebido propina de empresários de jogos quando presidiu a Loterj (loterias do Rio), em 2001 e 2002.

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