Deputado do PFL será investigado
A Câmara Federal irá criar uma comissão de sindicância para investigar as ações do deputado federal Hildebrando Pascoal (PFL-AC), acusado de ser chefe de um grupo de extermínio no Estado. Caso haja indícios de que o deputado acreano quebrou o decoro parlamentar, será iniciado um processo de cassação do mandato na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O envolvimento do deputado Hildebrando Pascoal com o esquadrão da morte no Acre vem sendo denunciado desde 1996 pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) daquele Estado, Gersino José da Silva Filho. O próprio desembargador vêm sofrendo ameaças de morte por parte do deputado pefelista. Num recente telefonema de Pascoal gravado pela Polícia Federal (PF), o deputado afirma: Só tem um jeito: é eu matar Gersino no meio da rua; deixa esfriar mais um pouco; quando der, eu vou matar esse cara no meio da rua.
No relatório preparado pela Subcomissão do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Acre, Pascoal aparece em posição de destaque no comando do suposto esquadrão, que seria integrado por policiais civis e militares. No Acre, 101 inquéritos de assassinato foram arquivados nos últimos anos porque não se chegou a nenhuma conclusão. Segundo o relatório, a maior parte dos crimes tem características semelhantes: decepamento de membros e cabeças das vítimas.
Coronel da PM e ex-deputado estadual, Pascoal tem fama no Acre de ser violento. Mas lá, são poucos que tem a coragem de o denunciar. O esquadrão da morte no Acre é um grupo ligado com ramificações políticas e o narcotráfico, denuncia o procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza. Há provas cabais da participação do deputado Hildebrando nesse grupo em posição de relevo, completa Souza.
No relatório entregue na Câmara, com mais de 600 páginas e fotos chocantes de corpos desfigurados e mutilados, o nome de Pascoal surge na época em que um dos irmãos dele, o então vereador Itamar Pascoal, foi assassinado em 1996. Um dos suspeitos do crime, José Hugo Alves Junior, foi encontrado morto no sertão da Bahia. O corpo só foi reconhecido por causa de um relógio. Um detalhe: Alves Júnior havia sido preso no Piauí e estava em poder da polícia acreana.
Nunca pensei que, no Brasil, existissem crimes com tamanha atrocidade, comentou SeverinoCavalcanti (PPB-PE), corregedor da Câmara.
Ontem, Pascoal fez um pronunciamento no plenário da Câmara, defendendo-se das acusações de que seria o chefe de um suposto esquadrão da morte. A campanha de perseguição movida contra este deputado tem origem nas denúncias que fiz, impetrando uma ação popular contra a fraude grosseira praticada por membros do Tribunal de Justiça do Acre, disse Pascoal. Segundo o deputado, tudo não passa de uma vingança de Silva Filho. Isso porque Pascoal impediu que os desembargadores ganhassem um aumento de 40%, por meio de uma ação popular no Supremo Tribunal Federal (STF).
O deputado desmentiu qualquer participação na morte dos assassinos do irmão, o então vereador Itamar Pascoal. Fizemos várias caçadas e ofereci R$ 50 mil como recompensa, reconhece Pascoal. Mas isso está previsto em lei, ressaltou.José Paulo Lacerda/AEPascoal: Fizemos várias caçadas e dei R$ 50 mil de recompensaGerson Camarotti
Agência Estado





