Deputado do PFL defende CPI para investigar MST
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de agosto de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Assembléia Legislativa do Paraná retomou as atividades ontem discutindo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e a questão fundiária no Estado. O autor da proposta, deputado Plauto Miró Guimarães (PFL), da bancada de oposição, colheu dez assinaturas de apoio durante a sessão de ontem.
São necessárias pelo menos 18 assinaturas para que a CPI seja aberta. O deputado espera conseguir o restante nas próximas horas. A base governista, porém, mostrou resistência à proposta. A deputada Elza Correia (PMDB) não concorda com a instalação da CPI. ''O que está acontecendo agora é porque a Constituição não foi cumprida. Tem que fazer a reforma agrária, os ânimos estão acirrados'', comentou.
O vice-presidente da Casa, Natálio Stica (PT), foi mais incisivo. ''Acho bobagem. Vai banalizar o instrumento CPI. A que conclusão vão chegar? Que o MST está radicalizando?'', questionou. Para o petista, as CPIs não estão sendo bem utilizadas. ''Criamos cinco e cadê os resultados?'', emendou.
O líder governista, Angelo Vanhoni (PT), ainda não discutiu com a bancada como o bloco vai se posicionar, mas sua visão pessoal é de que, neste momento, ''a Assembléia não pode estimular conflitos''. O presidente, Hermas Brandão (PSDB), é favorável. Ele quer um raio-X da questão fundiária.
Plauto Miró adotou discurso otimista e disse não acreditar em maiores obstáculos por parte da base governista. Os deputados Tadeu Veneri e Elton Welter, ambos do PT, defendem um escopo maior da CPI, abrangendo toda a questão fundiária. O pefelista já prometeu que sua CPI vai investigar a fundo. ''Vamos investigar o volume de recursos públicos investidos em assentamentos nos últimos 20 anos, quantas famílias foram beneficiadas, resultados dos programas públicos na área, será uma radiografia completa'', disse Plauto Miró. A bancada do PT se reuniria no final da tarde de ontem para discutir a CPI, mas o encontro foi adiado e só deve ocorrer nos próximos dias. Com o encerramento da CPI do Pedágio, no final de junho, Plauto Miró aposta que há espaço para as apurações sobre o MST. Na sessão de ontem, não foram votados projetos. As votações recomeçam na tarde de hoje.


