Deputado diz que PT pode retirar apoio a Requião
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quinta-feira, 02 de dezembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Caso o PMDB oficialize sua ruptura com o governo Lula no dia 12, o PT do Paraná deve deixar a bancada de apoio ao governador Roberto Requião na Assembléia Legislativa (PMDB). A opinião é do presidente estadual do PT, o deputado estadual André Vargas. ''O PT é um partido que sempre pensa nacionalmente. Nossa aliança regional está condicionada à aliança federal. A própria base vai cobrar esse afastamento, caso o PMDB realmente decida deixar o governo Lula'', avaliou Vargas.
Apesar da possibilidade de rompimento, Vargas garante que ainda defende a aliança entre as duas siglas. Depois das eleições municipais deste ano a parceria entre PT e PMDB ficou abalada, especialmente com as derrotas sofridas pelos candidatos petistas apoiados pelo PMDB em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa. ''Pessoalmente, acredito que o mais equilibrado é que a aliança fosse mantida. Defendo que seja revisto o relacionamento entre as duas partes para termos uma comunicação melhor, mas não acredito que o rompimento seja a solução'', afirmou.
O PT estadual irá se reunir no dia 18 para avaliar como será a relação a partir do ano que vem com o governo Requião. ''Escolhemos realizar nossa convenção após a decisão do PMDB no dia 12 justamente para podermos escolher com calma. Mas no momento é óbvio que uma ruptura em nível nacional pelo PMDB vai resultar num rompimento aqui no Paraná também'', disse Vargas.
Caso o PT deixe a base de apoio de Requião, o governo pode ter dificuldades para aprovar alguns projetos na Assembléia. Com nove parlamentares, o PT foi o fiel da balança em muitas votações polêmicas na Casa, como o aumento do salário dos secretários estaduais para R$ 11,9 mil, aprovado ontem.
O deputado Nereu Moura (PMDB) que é contra o afastamento de seu partido do governo Lula, reconhece a dificuldade. ''É um tiro no pé. Vamos ter muito mais dificuldades para aprovar projetos aqui na Casa. Sem contar que atualmente não há espaço para o PMDB lançar um candidato à presidência em 2006. O que vai acontecer é que vamos acabar sendo jogados para uma aliança com o PFL em nível nacional'', analisou Moura.


