Deputado diz que processo contra ele não vai prosperar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de maio de 2000
Patrícia Zanin De Londrina 
O deputado federal José Janene (PPB) disse ontem ter recebido com tranquilidade a ação civil pública proposta pelo Ministério Público (MP), mas acredita que ela não vai prosperar. Esse é um ato canalha que eu vou derrubar na Justiça, afirmou.
Ele alegou que a ação, que diz respeito a improbidade, é de natureza criminal, de competência do Supremo Tribunal Federal (STF). Além da ação civil pública, proposta ontem, o MP já abriu inquérito civil para apurar denúncias de desvio de dinheiro público para despesas de campanha do deputado, em 98.
A pedido de Janene, o STF requereu informações à promotoria sobre o caso. O inquérito é criminal e não civil e o Supremo já remeteu à Procuradoria da República. Isso não vai vingar, aposta.
O deputado negou que tenha sido beneficiado com recursos públicos e disse que os promotores estão sendo movidos pela emoção. Ele disse acreditar que o MP está procurando atingir políticos potenciais candidatos e analisa a possibilidade de se candidatar a prefeito.
Janene está preparando uma ofensiva em relação à promotoria, a quem acusou de tentar coagir testemunhas para incluir seu nome nas investigações. Eu vou mover uma ação criminal contra eles, ameaçou.
O pepebista afirmou que não pode ser punido por ter indicado pessoas para a administração. Não é por isso que vou ser acusado. Agora então vão culpar o ACM ou o Bornhausen por que eles indicaram o Greca para o ministério do Esporte, questionou, referindo-se ao ex-ministro do Esporte.
O prefeito Antonio Belinati (PFL) e o filho dele, deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB), também citados na ação, não foram encontrados ontem, assim como o ex-secretário de Governo Wilson Mandelli e o ex-presidente da AMA, Mauro Maggi.
Outro denunciado, o ex-diretor e ex-presidente da autarquia, Nelson Kohatsu, disse estar realizado com a ação. Isso porque os que tinham mando estão na mesma condição que eu, ou até pior. Vou responder por ter sido fraco, ingênuo e de ter sido enganado ao autorizar liberação de verbas, mas não usei nada para mim, afirmou.
Kohatsu disse esperar que os verdadeiros culpados sejam punidos. Quem mandava em tudo eram eles: o prefeito, o Gino, todos que faziam parte da cúpula, acusou. Azzolini Neto tem negado as acusações.


