Curitiba - O deputado Valdir Leite, integrante da CPI do Porto, disse ontem que nenhuma empresa ligada a ele ou a sua família prestou serviços de limpeza no porto. ''(O governador) que comprove isso'', declarou Leite. ''É uma forma de distorcer os fatos'', reclamou. Depois de se defender, Leite partiu para o contra-ataque. ''O chefe da limpeza no porto é o irmão do governador'', afirmou, referindo-se a Eduardo Requião, superintendente do porto. Leite mostrou a ordem de serviço número 022/2004, de 19 de fevereiro. Através dessa ordem de serviço, Eduardo Requião subordina à superintendência os serviços de manutenção no porto, entre eles a limpeza, explicou Leite.
Em entrevista à Folha, Eduardo Requião não se mostrou preocupado com a ordem de serviço revelada por Leite. Eduardo disse que ''tudo no porto é subordinado à superintendência'', e reafirmou a denúncia do governador. De acordo com Eduardo, até 2002 Leite fazia parte da empresa que fazia a limpeza do porto, mas depois desligou-se dela.
O presidente da CPI do Porto, Valdir Rossoni (PSDB), da bancada de oposição ao Palácio Iguaçu, frisou que Leite era aliado do governador há mais de um ano, até propor a CPI. ''Por que o governador Requião não denunciou antes?'', questionou Rossoni. Para ele, a denúncia do governador seria uma tentativa de ''descaracterizar'' a participação de Leite na CPI.
O relator da CPI, Alexandre Khury (PMDB), que é aliado do governo, afirmou que a comissão precisa se reunir para discutir o que fazer em relação à denúncia de Requião. ''Se for verdade, haveria um impedimento do deputado Leite em participar da CPI'', comentou Khury. (M.D.)

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