Deputado diz que empresário mentiu sobre Copel
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terça-feira, 28 de outubro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), subrelator da CPI da Copel para contratos de compra e venda de créditos tributários, afirmou ontem que o empresário Rogério Figueiredo Vieira ouvido no Rio de Janeiro através de carta precatória mentiu no depoimento dado em juízo na 19 Vara Criminal. Rogério Vieira é sócio-gerente da Mix Trade Comércio Internacional Ltda., empresa que aparece em duas frentes de investigação da CPI da Copel: no esquema de compra de créditos tributários da empresa falida Olvepar e nos serviços prestados pela consultoria da Associação dos Diplomados em Administração e Economia da Universidade de São Paulo (Adifea).
De acordo com investigações, pelo menos R$ 2,5 milhões dos R$ 39,5 milhões pagos pela Copel à Olvepar teriam sido direcionados para uma das contas da Mix Trade. A empresa também teria recebido R$ 10,75 milhões por conta de serviços de análise tributária feitos pela Adifea à Copel, similares a outros já feitos anteriormente pela estatal. Além de empresa de propriedade particular, Rogério Vieira representou outras empresas que receberam dinheiro da Copel. Ele negou em depoimento à Justiça. ''Eu não podia intervir nas perguntas que foram feitas diretamente pelo juiz, mas levei documentos que comprovavam que ele era o procurador responsável pelas contas de quase todas as empresas de informática que receberam dinheiro da Olvepar e da Adifea'', afirmou revoltado o parlamentar.
Entre os documentos juntados no relatório de Veneri estão as procurações das empresas DDL Distribuição e Comércio Ltda. e Mega Up-Grande Informática Ltda., ambas registradas no Cartório do 1º Ofício de Notas da Capital do Estado do Rio de Janeiro. Vieira negou ainda que fosse sócio de qualquer empresa, exceto a Yahweh Nissi Importação e Exportação Ltda. No entanto, a alteração contratual da empresa do dia 21 de fevereiro de 2002 demonstrava que ele era sócio com 10% do total das ações. Sua empresa, a Yahewh detinha os outros 90%. A sede da Mix Trade no contrato social é o município de Vila Velha, no Espírito Santo.
Rogério Vieira é funcionário público do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e foi afastado do cargo em abril de 1999. Ele era diretor-geral do TRT do Rio de Janeiro quando foram realizadas auditorias internas que apontaram irregularidades administrativas, como superfaturamento no preço de obras bancadas pelo TRT e fraude em licitações. Atualmente, ele está à disposição do Congresso Nacional. A Folha tentou entrar em contato ontem com Rogério Vieira, mas não conseguiu encontrá-lo.


