Deputado diz que deixa CPI se ficar provado que recebeu doações ilegais
Curitiba - O deputado Julio Delgado (PSB-MG), integrante da CPI da Petrobras disse ontem, após reunião com o juiz Sérgio Moro que, se ficar comprovado que as doações feitas por empreiteiras investigadas na Lava Jato à sua campanha forem oriundas de propina, ele deixa a Comissão, para "dar lisura às investigações". Ele e mais 12 integrantes da CPI receberam R$ 3,3 milhões de doações de empresas com algum envolvimento na operação.
Delgado recebeu R$ 380 mil das empresas Andrade Gutierrez (R$ 200 mil), Queiroz Galvão (R$ 100 mil) e Odebrecht (R$ 80 mil) em doações para as eleições do ano passado. Hugo Motta (PMDB-PB) e Luiz Sérgio (PT-RJ), presidente e relator da Comissão, respectivamente, receberam mais da metade do valor total destas doações. Motta recebeu R$ 454,5 mil, sendo 254,5 mil da Andrade Gutierrez e R$ 200 mil da Odebrecht; e Luiz Sérgio R$ 962,5 mil, sendo R$ 380 mil da OAS; R$ 332,5 mil da Queiroz Galvão; R$ 200 mil da UTC e R$ 50 mil da Toyo Setal.
Apesar dessa questão, o parlamentar não vê problema em estar investigando o esquema de corrupção na estatal. "Não tenho como esconder, recebi doação oficial através do meu partido de empreiteiras que estão envolvidas. Mesmo assim não deixei de ser o autor do requerimento para ouvir essas pessoas, incluindo os empreiteiros. Quero ouvi-los justamente para saber se os recursos são lícitos ou ilícitos. Acredito que minhas doações foram legais, não estou na lista dos investigados", afirmou.
"Quem tem mais a contribuir com as oitivas são os empreiteiros. Se os recursos que foram repassados para partidos foram frutos do esquema na Petrobras, sou o primeiro a dizer que saio da CPI. Mas quero saber se meus colegas também vão sair. O presidente da Comissão, o relator e vários deputados dos três maiores partidos que estão envolvidos (PT, PMDB e PP)", completou Delgado. (R.C.Jr.)





