O ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, declarou na última semana, em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa, que investiga irregularidades na Copel, dentre elas a compra de 45% das ações da empresa de telefonia londrinense, que o contrato de compra e venda de opções de ações da Sercomtel e a Banestado S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, feita em 98, pode ser considerado nulo.
A negociação com a Banestado Corretora foi feita após a compra das ações da Sercomtel pela Copel, por R$ 186 milhões, e envolveu outros R$ 12 milhões na venda caucionada de 2,4 milhões em ações preferenciais da empresa de telefonia.
''No depoimento do Rubens Pavan, ele nos disse que não tinha conhecimento da negociação com a Banestado Corretora e quem assinou esse contrato foi o diretor financeiro da Sercomtel, que não me lembro o nome. E nos disse também que uma operação que não foi assinada pelo presidente da Sercomtel é nula'', relatou o sub-relator da CPI, deputado Alexandre Curi (PMDB). ''Ao perguntarmos porque ele não solicitou providências ao corpo jurídico da empresa ao tomar conhecimento da operação, ele (Pavan) não respondeu. Aliás, os três depoimentos colhidos (Pavan e dos ex-secretários de Fazenda, Luiz César Guedes e Governo, Gono Azzolini Neto) foram nada transparentes'', complementou.
Segundo o deputado, outro ponto a ser esclarecido nas investigações, é o valor das ações da Sercomtel negociado com a Copel. ''Pelos levantamentos iniciais, hoje as ações da Sercomtel valeriam menos do que foi negociado. O valor teria caído cerca de 50%. Mesmo que não tenha sido superfaturado, já terá sido prejuízo para a Copel. Se hoje fosse oferecido a Copel, a nova diretoria disse que de forma alguma compraria ações da Sercomtel'', disse.
Ontem, os vereadores Carlos Bordin (PMDB) e Rubens Canizares (PHS), que acompanham as investigações dos deputados, foram à Curitiba entregar documentos sobre a transação que estavam arquivados na Câmara de Londrina. A venda foi investigada em duas comissões, mas os relatórios foram arquivados porque o então prefeito Antonio Belinati (sem partido) já havia sido cassado. ''Essa comissão está aberta aos vereadores de Londrina. Vamos continuar as investigações daqui duas semanas. Na próxima semana vamos cuidar do caso Ovepar'', garantiu o deputado. Existe a possibilidade dos deputados se deslocarem à Londrina dentro de 20 dias.
''A Câmara de Londrina vai estabelecer um contato com a CPI. Toda vez que levantarem dados novos vamos ficar sabendo'', disse o vereador Carlos Bordin.

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