Deputado diz que contrato da Appa deu prejuízo ao PR
Curitiba - O presidente da CPI do Porto na Assembléia Legislativa, Valdir Rossoni (PSDB), levantou suspeitas ontem sobre um contrato firmado entre a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e a empresa de dragagem Bandeirantes. Para Rossoni, o Estado teve um prejuízo desnecessário com a tentativa de revisão do contrato autorizada pelo superintendente da Appa e irmão do governador, Eduardo Requião.
O contrato foi suspenso por Eduardo Requião devido ao índice utilizado para o reajuste dos valores do contrato. Firmado no início do governo Jaime Lerner, o contrato previa reajustes em dólar, o que foi considerado ilegal para o governo. O contrato só foi retomado após ter a taxa de reajuste alterada para um índice fornecido pela Fundação Getúlio Vargas.
Segundo Rossoni, a manobra acabou causando um prejuízo de mais de R$ 11 milhões ao governo. ''O atraso no cumprimento do contrato implicou num acordo judicial que estipulou um pagamento de R$ 6,2 milhões para a APPA. Além disso, a areia acumulada no canal da Galheta durante o período fez com que a Bandeirantes tivesse direito a um adicional de R$ 5 milhões para as operações extras de dragagem necessárias agora'', disse Rossoni.
O contrato foi alvo de investigação pela CPI devido a denúncias de que o sobrinho do secretário de Saúde, Cláudio Xavier, Maurício Xavier, teria tentado falar em nome do governo para oferecer a liberação do contrato para a Bandeirantes. Maurício Xavier nega as acusações. A CPI pretende fazer uma acareação entre Maurício Xavier e o proprietário da Bandeirantes, Ricardo Sudaiha para esclarecer a questão.
Além da CPI, a Assembléia também montou uma Comissão Especial para acompanhar os problemas causados após a explosão do navio chileno VicuÀa no dia 15 de novembro. Hoje os deputados irão a Paranaguá para ouvir o superintendente da APPA, Eduardo Requião. O clima da reunião promete ser tenso: durante a semana o superintendente fez duras críticas aos deputados, acusando-os de abandonarem o porto no momento mais difícil, e de agirem ''sem boa-fé'' e ''nos interesses das multinacionais''. (R.S.)





