Deputado denuncia superfaturamento na Sanepar
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terça-feira, 09 de agosto de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O deputado estadual Barbosa Neto (PDT) denunciou ontem na Assembléia Legislativa um possível esquema de superfaturamento na compra de copos de água pela Sanepar. Segundo o deputado, a Sanepar teria gastado R$ 1,2 milhão no ano passado para comprar 60 mil caixas com copos de água de 200ml. Barbosa Neto afirmou que o preço de R$ 20,70 por caixa pago pela estatal seria o dobro do cobrado no mercado.
Os copos foram comprados junto à empresa Assesa Empreendimentos, que segundo Barbosa Neto seria controlada à época da negociação pelo então membro do Conselho de Administração da Sanepar, Hamilton Aparecido Gimenez. ''Além de ser uma imoralidade comprar água de uma empresa que tem como sócio um membro do conselho de administração, a Sanepar ainda gastou quase o dobro do que cobra a Ouro Fino (R$ 11,05) e mais que o triplo do que cobra a Frescale (R$ 6,70) pela mesma caixa de copos d'água. E esses preços são já com o frete, que no caso da licitação foi pago pela Sanepar'', afirmou Barbosa Neto.
O pedetista também questionou a finalidade da compra. ''Para onde está indo toda esta água? São 5 mil caixas por mês ou 2,8 milhões de copos por ano'' questionou. Barbosa Neto enviou a documentação referente às licitações ao Ministério Público para que os promotores investiguem a existência ou não do superfaturamento.
Ontem a Assesa Empreendimentos negou as acusações feitas pelo deputado. ''Quem repassou as informações para o deputado estava mal-intencionado. A Assesa firmou um contrato em 2004 para envasar 120 mil caixas de copos (e não 60 mil) e recebeu por isso R$ 696 mil - um valor de R$ 5,80 por caixa, totalmente dentro dos padrões do mercado. Os demais custos, como o copo, a caixa e a tampa de alumínio elevaram o preço total da caixa para cerca de R$ 10, ainda mais barata que a da Ouro Fino. E se a água é mais cara que a da Frescale, ela se deve à qualidade do processo de envase e dos materiais utilizados pela Sanepar, que quer ter um produto de alto padrão'', afirmou Elcio Giordano, diretor-administrativo da Assesa Empreendimentos.
Quanto à necessidade do governo em comprar 120 mil caixas de copos de água em um ano, Elcio afirmou que é uma estratégia de marketing da Sanepar. ''O jeito mais barato da Sanepar fazer propaganda de sua marca é oferecer o seu produto, que é a água de qualidade. Se o deputado acha caro gastar R$ 1,2 milhão para que a marca da Sanepar seja divulgada em eventos públicos e prefeituras em todo o Estado ele pode questionar esses valores, mas acredito ser um preço razoável'', argumentou Giordano.
Já quanto ao possível favorecimento de Hamilton Gimenez com a negociação, Giordano afirma que não há entraves legais. ''O Hamilton é presidente da União das Asssociações dos Empregados da Sanepar, que também usa a sigla Assesa. Mas ele não é presidente da Assesa Empreendimentos, que é uma empresa criada para prestar serviços na área de envase e tem como sócios os membros da Assesa União. Existem correntes divergentes sobre a possibilidade de empresas como a Assesa Empreendimentos prestarem serviços para as empresas públicas, mas já existem outros exemplos de negócios semelhantes'', afirmou Giordano.
O atual presidente do Conselho Administrativo da Sanepar, Sérgio Botto de Lacerda, não concorda com a argumentação de Giordano. Lacerda determinou a revogação de uma segunda licitação vencida pela Assesa Empreendimentos este ano. ''Fui o relator do processo e entendi que se trataria de um caso em que a estatal iria subvencionar uma empresa de um servidor público, o que é ilegal. Por isso, determinei a revogação da licitação'', afirmou Lacerda, que acumula a presidência do Conselho da Sanepar com o cargo de procurador-geral do Estado.


