Deputado denuncia 'máfia da massa falida'
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
Marcela Rocha Mendes <br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cinco dias após o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) ter concedido liminar que paralisou os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Falências, o presidente da comissão, deputado Fábio Camargo (PTB) divulgou os nomes de pessoas que estariam envolvidas no suposto esquema criminoso. Segundo ele, uma única família paranaense administraria R$ 15 bilhões das empresas em processo de falência e um grupo pequeno de magistrados estaria por trás da ''máfia da massa falida''. Camargo se utilizou da ''imunidade parlamentar'', ontem, para dar os nomes e mostrou um vídeo com trechos de depoimentos colhidos pelos membros da CPI em que várias pessoas citavam os mesmos nomes como principais beneficiários do esquema.
No vídeo, as testemunhas ouvidas pelos deputados contavam sobre o processo de falência de grandes empresas. Os relatos eram semelhantes, apontavam o nome de um síndico da massa falida das empresas designado por três juízes diferentes. De acordo com os depoentes, depois que o síndico citado assumia, a situação das empresas piorava. Uma testemunha chegou a dizer que foi ameaçada pelo pai do administrador, que teria dito ter ''poderes no Tribunal de Justiça e no STF (Superior Tribunal de Justiça''.
Segundo o deputado, a justificativa para que o síndico tenha sido designado para administrar as principais empresas em processo de falência no Estado é porque ele seria ''de confiança'' dos juízes.
''Toda falência é passível de uma falha. Então esses juízes procuravam essa falha nos processos para retirar o síndico que atuava e designar essa família. E essa organização criminosa se preparava para dilapidar o patrimônio das empresas'', afirma Camargo. O deputado diz ter provas materiais do envolvimento dos citados no suposto esquema.
O parlamentar contou que recebeu oferta de dinheiro para não instalar a CPI e que decidiu falar neste momento porque, embora a liminar tenha paralisado os trabalhos da comissão, a decisão não impediria que os resultados colhidos até então fossem apresentados.
Camargo disse que a Polícia Federal entrou em contato com ele depois de ter recebido uma denúncia anônima contra a família citada e que agora pretende investigar a situação com base também no material levantado pela CPI. Na próxima sexta-feira, o Órgão Especial do TJ-PR deve analisar uma mudança na distribuição dos processos de falências e concordatas, que sairiam das quatro Varas da Fazenda e seriam analisadas pelos juízes das 23 Varas Cíveis do Estado.


