Edson Praczyk provou ontem que a fé não remove apenas montanhas, mas leva políticos como ele até a mudar de sigla. Eleito deputado pela primeira vez em outubro passado, com 32.276 votos, o pastor da Igreja Universal anunciou em Curitiba que está trocando o PSDB pelo PL. ‘‘Recebi uma direção divina para isso’’, justificou.
O PL será o segundo partido do deputado-pastor, que se filiou em 97 ao PSDB para concorrer a uma das cadeiras da Assembléia. Os projetos de Praczyk são ambiciosos. O pastor quer a todo custo assumir o controle do diretório regional do PL no Paraná.
A reforma política, que impõe limites a partidos nanicos como o PL, não assusta o deputado. Edson Praczyk diz estar calçado por ‘‘Deus’’. ‘‘Nós evangélicos temos uma praxe de fugir à regra. Enquanto todo mundo fala em crise, nos estamos crescendo’’.
O deputado admite que a debandada nacional vivida pela bancada evangélica, na Câmara Federal - rumo ao PL - também o influenciou. Praczyk já formalizou sua decisão ao PSDB. ‘‘Se a decisão não for a mais acertada, o problema não é meu. É de Deus’’, declarou o deputado evangélico.
Para Praczyk, a sua eleição como deputado é o sinal mais claro de sua ‘‘f钒. ‘‘Eu nunca fui candidato a nada. Nem a síndico de prédio. A minha missão aqui é conduzir espiritualmente a minha base’’, assinalou. Praczyk não é o único deputado evengélico da Assembléia.
A sua filiação ao PL engorda a bancada que passa a ter três integrantes: Geraldo Cartário, Edno Guimarães, e ele. A bancada do PSDB permanece inalterada com a saída do pastor. No lugar de Praczyk, assina ficha no ninho Neivo Beraldin, na segunda-feira.
O presidente estadual do PSDB, senador Álvaro Dias, disse ontem que a saída de Praczyk é isolada e resulta de um processo nacional. O PL hoje estaria nas mãos do bispo Edir Macedo. Álvaro garante que a desfiliação será compensada com novos ingressos no partido.
O senador não confirma, mas o também pastor Hidekazu Takayma (PFL) estaria disposto a entrar no PSDB. O líder tucano na Assembléia, José Maria Ferreira garante que existe ainda a possibilidade de outro deputado ingressar na sigla. Por razões estratégicas, preferiu mantê-lo no anonimato.

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