Em meio à atual turbulência que vive o Congresso Nacional, a reflexão do cidadão sobre os escândalos de pagamento de propina a parlamentares e uma reforma eleitoral que valorize as idéias, ao invés do poder econômico, podem surgir como alternativa para que se restaure a confiança no voto. A proposta foi exposta ontem pelo deputado federal Moacir Micheletto (PMDB), paranaense de Assis Chateaubriand (72 km ao norte de Cascavel), em visita à Redação da Folha.
Engenheiro agrônomo e produtor rural, Micheletto é membro titular da Comissão de Agricultura do Congresso Nacional, vice-presidente da Federação da Agricultura no Estado do Paraná (Faep) e assume ainda este ano, também em Brasília, a presidência da Frente Parlamentar de Agricultura.
O deputado é enfático ao se dizer frustrado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o qual, avalia, sabia dos esquemas de corrupção denunciados pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) contra José Dirceu, então na Casa Civil, e José Genoíno, então presidente nacional do PT. ''Até 30 dias atrás, me exercitava mentalmente para achar que o Lula não sabia de nada. Estava mentindo para mim mesmo, claro que sabia'', opinou, para complementar: ''O presidente agora pensa em vender a imagem do País mundo afora; se tornou um office boy de luxo para isso''.
O tal sentimento de frustração se estende ainda para o presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti (PP-PE). Micheletto foi um dos parlamentares que votou nele ''como uma alternativa, na ocasião, contra o PT''.
Sobre as novidades para o setor rural, o deputado comentou que tão logo seja aprovado ainda este semestre o Código Florestal Brasileiro, do qual é relator, serão estabelecidas medidas que significarão, nas palavras dele, um avanço para o zoneamento ecológico e econômico dos 11 biomas existentes no Brasil. ''Também estamos discutindo dentro da reforma tributária a criação de um fundo que atenda necessidades de infra-estrutura do agricultor'', explicou. Segundo ele, a proposta é que 100% do Imposto Territorial Rural (ITR) seja retido para essa finalidade, em vez dos 50% atuais. ''Cada conselho de desnvolvimento rural dos municípios que decidirá como e onde distribuir esse recurso seja na readequação de estradas rurais, ou mesmo em terraplanagem'', citou.

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