Curitiba - O deputado federal Osmar Serraglio (PMDB/PR), primeiro secretário da Câmara, teme que a lista fechada e o financiamento público das campanhas eleitorais - dois itens da reforma política - se tornem instrumentos exclusivos dos ''caciques'' das legendas. De passagem sexta-feira por Curitiba, onde tomou posse como integrante do Instituto dos Advogados do Paraná, Serraglio afirmou que é favorável ao voto em lista fechada e também ao financiamento público, mas que há um ''receio'' sobre o poder e a influência dos líderes partidários no momento em que se escolher a ordem dos candidatos que irão integrar a lista e quando se definir os critérios de distribuição da verba pública, de responsabilidade das siglas. Pela lista fechada, o eleitor passaria a votar num partido, e não mais num candidato.
''Se o PMDB, por exemplo, pudesse lançar 45 candidatos. Pelo sistema atual, mesmo se eu fosse o 45º candidato eu poderia ser eleito. Na lista fechada, apenas os primeiros poderiam ser eleitos. Então o problema é saber quem vai elaborar a lista. Vai ficar nas mãos dos caciques'', explica ele. Apesar de admitir que existe um receio em relação ao funcionamento prático da lista fechada, Serraglio acrescenta que é favorável à mudança porque ela ''valorizaria a legenda''. ''O eleitor estaria vinculado ao programa partidário. A disputa seria entre propostas diferentes.'' O peemedebista, porém, não acredita na aprovação do item, que deve ser levado à votação na Câmara na próxima semana.
Dentro da bancada do PMDB, Serraglio explica que os parlamentares estão ''divididos'' em relação à lista fechada. Já a proposta de financiamento público para as campanhas eleitorais conta com o apoio da maioria dos peemedebistas. Recentemente, a bancada do PMDB fez uma consulta prévia entre seus correligionários sobre os dois itens.
Também favorável ao financiamento público, Serraglio, no entanto, destacou novamente a atuação determinante dos caciques da legenda dentro do novo processo. ''Temos que encontrar uma solução. Quem vai fazer a distribuição da verba?'' Serraglio afirma, porém, que o financiamento público, que conta informalmente com o apoio da maioria na Câmara, poderia sim funcionar sem a aprovação, necessariamente, da lista fechada. ''Criou-se um discurso, que os dois itens estão vinculados, mas já existem experiências, em outros países, de financiamentos públicos sem lista fechada'', afirmou ele.
Serraglio defende que, além dos dois itens atualmente discutidos na Câmara, a reforma política deve tratar prioritariamente da fidelidade partidária e do fim da coligação nas eleições proporcionais.

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