Deputado critica secretário de Segurança
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
Dimitri do Valle De Curitiba 
O deputado estadual Tiago Amorim Novaes (PTB) acusou o secretário de Segurança Pública, José Tavares, de fazer vistas grossas para o crescimento da violência em Cascavel, base eleitoral do parlamentar. Novaes disse ontem que já encaminhou pedido de providências a Tavares para destacar uma força tarefa com a missão de combater a criminalidade no município, mas não teria sido atendido. As críticas são mais um capítulo no embate político travado entre Novaes e o chefe da Polícia Civil na cidade, delegado Valmir Soccio, que não teve a indicação do parlamentar para o cargo.
Tavares informou por meio de sua assessoria de imprensa que não iria comentar as declarações de Novaes, feitas também em seu programa de rádio. O secretário informou que queria conhecer melhor as denúncias antes de se pronunciar. O deputado disse ainda que apresentou pedido de transferência de um delegado e três investigadores da Polícia Civil lotados em Cascavel. Todos, segundo ele, respondem a processos por crimes de extorsão, contrabando e homicídio. Novaes também pediu a nomeação de outro delegado para ocupar o lugar de Soccio.
Se estão envolvidos com a onda de criminalidade na cidade, eu não sei, mas em quem a população vai confiar vendo uma ficha dessas?, indagou o deputado. Caso os policiais não sejam afastados, Novaes disse que vai passar a suspeitar que os acusados estão sendo protegidos. Já cobramos providências do secretário José Tavares e parece que ele está fazendo vistas grossas. Se não formos atendidos, nós é que vamos tomar algumas providências, afirmou, sem detalhar qual seria esta resposta.
Entre roubos e assassinatos em Cascavel, o deputado disse que o índice de criminalidade aumentou 66% neste ano e o número de carros furtados já chegou a 200 no mesmo período, três vezes maior do que os números verificados em 2000. Viaturas das polícias Civil e Militar da cidade também não estariam sendo usadas no atendimento de ocorrências por falta de combustível. Espero que na hora em que o secretário decidir atender as nossas reivindicações, ele resolva mandar combustível para as viaturas.
Novaes atribuiu seu descontentamento às cobranças que recebeu das vítimas da onda de violência. A população está nos cobrando nas ruas, principalmente os mais pobres que foram vítimas dos roubos de carros. Para o deputado, só a intervenção de um grupo de elite da polícia paranaense em Cascavel seria capaz de reduzir as ocorrências sobre a onda de violência na cidade. A Polícia Militar tem desenvolvido um trabalho, mas precisa de apoio.
Não é a primeira vez que Tiago Amorim Novaes resolve trombar com autoridades da Segurança Pública do Estado. Em 1999, o deputado participou de um debate em uma emissora de tevê local e atacou o comandante da Polícia Militar em Cascavel, tenente coronel Aylton Lino da Silva. O militar foi alvo de uma série de xingamentos proferidos no ar pelo deputado, que o acusava de integrar o crime organizado na cidade. O tenente coronel negou todas as acusações. O deputado petebista também pediu a substituição do militar do comando da PM em Cascavel, mas não foi atendido.


