Brasília- Entre hoje e amanhã, o Brasil terá pela primeira vez um presidente da República nominalmente comunista. Com as viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a trabalho à Venezuela e do vice José Alencar aos EUA por motivos médicos, o cargo passa no final da tarde de hoje às mãos de Aldo Rebelo, 50, presidente da Câmara dos Deputados e um dos principais líderes do PC do B.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, amanhã na Venezuela, de eventos com o presidente Hugo Chávez. As informações são da Agência Brasil.
Em Ciudad Guayana, local do encontro, um dos principais temas será a construção de uma refinaria de petróleo em Pernambuco, a partir de uma parceria firmada entre a PDVSA, estatal petrolífera venezuelana, e a Petrobras.
O empreendimento terá investimentos de US$ 2,5 bilhões. Estará na comitiva do presidente o governador eleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que tratará do cronograma de obras da construção da refinaria José Inácio de Abreu e Lima, que processará até 200 mil barris diários de petróleo pesado.
Lula também participará da inauguração da ponte sobre o rio Orinoco, construída pela empreiteira brasileira Odebrecht. A obra integra o corredor de transportes, que contará com a construção de 166 quilômetros de rodovias e será uma das principais rotas de exportação, para levar produtos de Boa Vista e Manaus ao mar do Caribe.
Comunista -Aldo brinca com o ineditismo da situação. Segundo ele, será de fato a primeira vez que alguém ''confessadamente'' e ''assumidamente'' comunista assumirá a Presidência da República do país. Nas poucas horas à frente do Executivo, Aldo admite que lembrará dos livros de Karl Marx (1818-83) e Friedrich Engels (1820-95), a dupla alemã que embasou teoricamente o comunismo no século 19, e de políticos míticos na América Latina e nos Estados Unidos, como Simon Bolívar (1783-1830) e Abraham Lincoln (1809-1865).
A posse de Aldo está marcada para hoje, por volta das 17h, no embarque de Lula à Venezuela. Sem Alencar, que passa por tratamento de um câncer nos EUA, Aldo ficará no cargo até amanhã à noite, no retorno de Lula ao país.
Filho de um vaqueiro e de uma professora, alagoano de Viçosa e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Aldo avalia sua chegada à Presidência da República como o resultado da evolução do processo democrático do país. Em tempos da ditadura militar (1964-1985), militantes de grupos de esquerda foram presos, e muitos deles, torturados.
''As lutas e as dedicações de muitas gerações de brasileiros para conquistar a democracia e a liberdade possibilitaram chegar a um momento como esse. E hoje pode alguém do Partido Comunista, mesmo que momentaneamente, chegar à Presidência da República num momento de normalidade, de tolerância, de respeito e de convivência democrática'', diz. Aldo será o quarto a substituir Lula na Presidência.

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