Deputado Bernardo Carli é suspeito de crime eleitoral
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quarta-feira, 02 de dezembro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - O deputado estadual Bernardo Ribas Carli (PSDB) e seu pai, Luiz Fernando Ribas Carli (PP), ex-prefeito de Guarapuava, são alvos de uma investigação deflagrada ontem pela Procuradoria Regional Eleitoral de Curitiba com o auxílio de policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. O parlamentar e o ex-prefeito, além dos vereadores Maria José Mandu Ribeiro Ribas (PSDB) e Milton de Lacerda Roseira Jr. (PSDB) e sete pessoas que atuaram na campanha de 2014, são investigados por suspeita de crime eleitoral em benefício da candidatura de Bernardo à Assembleia Legislativa (AL).
Informações levantadas pela investigação apontam indícios de que durante a campanha do ano passado foram distribuídos vários benefícios a eleitores a fim de obter votos para o deputado conduta que se configura em crime de corrupção eleitoral. Segundo os investigadores, "existem fortes suspeitas de que a organização criminosa dividiu-se em dois grupos, localizados em Guarapuava e no distrito de Entre Rios (25 quilômetros do centro da cidade), a fim de praticar crimes eleitorais em benefício da candidatura do deputado".
A apuração também indica que no dia da eleição coordenadores dos dois grupos arregimentaram motoristas e cabos eleitorais para praticar os delitos de boca de urna e transporte de eleitores. Ao todo foram cumpridos 72 mandados de condução coercitiva (quando as pessoas são encaminhadas à delegacia para prestar esclarecimentos e depois são liberadas) expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). As oitivas dos conduzidos foram realizadas na sede do Gaeco de Guarapuava e na Procuradoria Regional Eleitoral, em Curitiba, por uma força-tarefa formada pelo procurador regional eleitoral e por sete promotores eleitorais e do Gaeco.
O parlamentar, que compareceu ontem à sessão da Assembleia, se disse surpreso com a operação e negou as suspeitas apontadas pela investigação. Ele confirmou que prestou depoimento e afirmou que tudo será esclarecido. "Fui convidado a comparecer na Procuradoria e prestei todos os esclarecimentos, a partir de agora nossos advogados terão acesso ao processo. Com certeza não foi feito nada irregular, estou muito tranquilo. Nossas contas do pleito eleitoral foram aprovadas e tudo o que for solicitado, da nossa parte, será esclarecido", disse.
O deputado tucano chegou a ter o mandato cassado em outubro de 2011 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR) sob a acusação de "caixa dois" de campanha nas eleições de 2010. Conforme as investigações da época, ele teria contratado e pago em dinheiro 36 cabos eleitorais de Guarapuava, porém, na prestação de contas à Justiça Eleitoral, declarou estes gastos como trabalho voluntário e doação de serviços. O Ministério Público ouviu os cabos eleitorais e pelo menos 10 confirmaram o recebimento do dinheiro. Apesar da decisão do TRE-PR, o parlamentar conseguiu uma liminar no Tribunal Superior Estadual (TSE) para se manter no cargo, suspendendo os efeitos da decisão até o julgamento final do recurso. "Esse processo referente às eleições de 2010 ainda está correndo, em andamento", afirmou o parlamentar.
A operação, batizada de Capistrum (cabresto em latin), também levantou indícios de que a organização criminosa continuava atuante, concedendo supostos benefícios a moradores de Guarapuava e região, com o fim de "manter cativo o eleitorado". De acordo com o coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, todas as informações levantadas até agora serão repassadas à Procuradoria Regional Eleitoral, que conduz as investigações, para futura oferta de denúncia contra os envolvidos. Segundo ele, entre os benefícios "concedidos" aos eleitores estavam o pagamento de contas, de combustível, distribuição de cargas de terra (para obras), compra de cestas básicas e dinheiro em espécie.
"É uma prática que ocorre no período eleitoral e que é ilegal. O que é lei tem que ser cumprido. Agora cabe à Procuradoria Eleitoral e ao TRE-PR dar prosseguimento às investigações", ressaltou.
Batisti também informou que até o início da noite de ontem a maioria das 72 pessoas que tiveram o mandado de condução coercitiva expedido já tinham sido ouvidas.


