Deputado assume sob vaias, acusado de desviar salários
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
Aparecido Custódio da Silva (PFL), que já havia deixado seu mandato de vereador na Câmara Municipal de Curitiba, tomou posse na tarde de ontem como deputado na Assembléia Legislativa sob protestos de ex-funcionários de seu gabinete na Câmara. Custódio assumiu a vaga do deputado Nelson Justus (PTB), ex-presidente da Casa, agora secretário dos Transportes do governo Lerner. Na cadeira de deputado, Custódio se beneficia com a imunidade parlamentar. Ele foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por apropriação indébita de recursos públicos.
O agora deputado foi acusado de desviar recursos da Câmara Municipal entre 1993 e 1999 através da retenção de parte dos salários de funcionários. Ele também foi acusado de dar destinação indevida a verba de assistência social a que tinha direito. Custódio disse que ainda não decidiu se vai abrir mão da imunidade. Em entrevista à Folha, publicada no dia 30 de novembro do ano passado, ele alegou inocência. Para que responda normalmente ao processo, a Assembléia precisa conceder licença. Vou conversar com o presidente da Casa e ver se o regimento interno permite.
O presidente eleito, Hermas Brandão (PTB), disse que se o MP solicitar, a Assembléia vota a licença. Hermas toma posse no dia 15 de fevereiro. Apesar dos protestos, Custódio conseguiu lotar de eleitores e amigos o plenarinho da Assembléia, onde aconteceu a cerimônia de posse.
Os ex-funcionários do deputado pefelista esperam que ele seja liberado da imunidade para ser processado pelos desvios. Queremos sensibilidade por parte do Legislativo. Ele tem que responder ao MP, e até havia prometido que abriria mão da imunidade, disparou Vilmar Honorato de Melo, ex-chefe de gabinete de Custódio na Câmara entre 1993 e 1998. Melo disse que se irritou e acabou pedindo demissão em 98. Segundo ele, além da denúncia do MP existem cerca de 40 ações trabalhistas contra Custódio.


