Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), admitiu ontem a possibilidade de os deputados interromperem as férias para votar o plano de cargos e salários dos professores da rede pública estadual.
A manifestação de Brandão veio um dia depois de o governador Roberto Requião (PMDB) defender, em uma solenidade no Palácio Iguaçu, que os deputados votem a mensagem com o plano sem no entanto receberem jetom. Requião disse que os deputados estaduais recebem ''muito bem'', enquanto que os secretários de Estado não. Cada um dos 54 deputados recebe um contracheque de R$ 9,5 mil. No caso de convocação durante o recesso pelo Poder Executivo, os deputados recebem dois salários extras, um pela convocação e outro pela desconvocação. Mas Requião já avisou que a votação tem que ser feita sem o pagamento de jetom.
Brandão frisou que quem toma as decisões na Casa é a mesa executiva (presidente, vices e secretários), mas admitiu a possibilidade de votação. ''Acho que não tem problema nenhum (votar a mensagem em janeiro ou fevereiro). Foi uma pena não ter mandado durante o período em que estávamos lá, mas se o governador mandar com certeza a Assembléia responderá rapidamente em homenagem aos professores do Paraná.''
Requião disse que o plano não foi encaminhado a tempo porque houve erros dos técnicos da Secretaria de Estado da Educação, e com isso alguns professores teriam seus salários reduzidos.
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) disse que a proposta do governador de votar o plano, sem jetom e durante o recesso é ''ótima''. ''Deve ser votado, é só avisar e o plano vir certo. Eu já me convoco'', disse o deputado, que geralmente assume bandeiras que não são as mesmas da maioria da Casa.
A Assembléia está em recesso desde a semana passada e reabre no dia 15 de fevereiro. O aumento no salários dos secretários de Estado também não foi votado. Os deputados alegaram na época que não queriam o desgaste de aprovar aumento para os secretários de Estado, deixando os professores sem melhorias.
O plano de cargos e salários atinge 99 mil professores do Paraná, sendo 71 mil da ativa e 28 mil aposentados. De acordo com o presidente da APP-Sindicato (sindicato dos professores), José Lemos, os deputados mostraram disposição para votar o assunto durante as férias, mesmo sem receber o jetom. ''Conversei com vários líderes antes do recesso parlamentar e eles se prontificaram a vota, dada a importância do tema'', relatou.
Desde 1976 a categoria não tem uma mudança global no plano de cargos e salários. Algumas alterações foram feitas através de leis complementares. Segundo Lemos, os deputados podem votar o projeto até em janeiro, mas desde que as mudanças sejam retroativas ao primeiro dia do ano. ''A nossa expectativa era de votarmos o projeto ainda neste ano. Como não foi possível, queremos garantir os benefícios totais para 2004'', acrescentou. (Colaborou Rosana Félix)

mockup