Brasília - O deputado federal Darcísio Perondi (RS) deixou ontem o almoço da bancada do PMDB com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizendo que a ala das regiões Norte e Nordeste do partido está tentando ''vender'' a legenda ao governo. ''Tem um grupo fisiológico dentro do PMDB, liderado pelo (senador) Renan Calheiros (AL), pelo (presidente do Senado, José) Sarney (AP) e pelo (senador) Amir Lando (RO), que quer vender o partido ao PT. Tem um grupo que não aceita, e nós vamos debater'', afirmou Perondi, um dos mais ferrenhos defensores da independência do PMDB.
Segundo ele, ao contrário do que Renan tem afirmado, a maioria da bancada é contra a participação no governo. Ele disse existir uma pesquisa feita pela Fundação Ulysses Guimarães, ligada ao partido, que mostraria que 60% da bancada no Congresso seria favorável à independência, e 35%, a favor de uma aliança com o governo.
''Não é oferecendo cargos de liderança no Senado, atropelando as instâncias do partido, que o PT vai ganhar apoio do PMDB'', afirmou. Apesar de demonstrar irritação, Perondi disse que não deixou a reunião por estar contrariado. Ele alegou ter outros compromissos e disse que o presidente Lula é muito ''amável''.
Perondi não poupou críticas a Sarney, afirmando que ele foi ''vassalo da revolução toda a vida e agora está falando de democracia'', referindo-se ao golpe militar de 1964 e à ligação de Sarney à Arena, partido dos militares. Também sobraram críticas para Lando e para Renan, que também articulam a aliança com o governo. ''O que o Lando, o Sarney e os outros estão fazendo é trocando cargos e atropelando a maioria'', afirmou. (A.F.)

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