Curitiba - O jornal ''Câmara em Ação'', que custou à Câmara Municipal de Curitiba, entre 2004 e 2010 pelo menos R$ 16,6 milhões, teve os custos de impressão superfaturados. A denúncia é do deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), que em orçamentos feitos com várias gráficas de Curitiba constatou que os valores de mercado equivalem a um terço do que foi pago pelo vereador João Cláudio Derosso (PSDB), presidente da Casa desde 1997. Há suspeita ainda de que o jornal pode não ter sido impresso.
Rosinha já tinha encaminhado, no último dia 17, pedido de providências ao Ministério Público do Paraná, para que os promotores incluam o jornal em suas investigações sobre irregularidades envolvendo Derosso. A vereadora Professora Josete (PT) também levou o caso oficialmente ao Conselho de Ética da Câmara, na quarta-feira.
O ''Câmara em Ação'' deveria ser uma publicação mensal da Casa, mas os indícios são de que o jornal não era impresso, pois não há vestígios da publicação. Funcionário também dizem que nunca viram o informativo. Há registros apenas de arquivos PDF, que até uns dias atrás estavam no site da Casa. Mesmo assim, a Câmara pagou R$ 16,6 milhões para supostos serviços de impressão.
Os recursos foram repassados à agência Visão Publicidade, que junto com a Oficina da Notícia foi uma das duas vencedoras da licitação feita pela Casa. A tiragem do jornal teria chegado a 247 mil exemplares mensais, bem superior à média de circulação dos grandes diários do País. Em algumas edições de PDF a atual esposa de Derosso, Cláudia Queiroz Guedes, aparece como a jornalista responsável pelo veículo.
O levantamento feito por Rosinha tomou por base as informações declaradas pela Câmara ao Tribunal de Contas do estado (TCE), e disponíveis no Portal do Controle Social do tribunal. A edição de dezembro de 2008, por exemplo, teve tiragem de 247 mil exemplares e custou R$ 342,3 mil.
Pelo levantamento feito pelo deputado Rosinha, um jornal com as mesmas especificações - formato A3 aberto (42 por 29,7 centímetros) e papel couché brilhante 115 gramas- teve o orçamento mais barato em R$ 116 mil, 34% do valor pago por Derosso.
''Além do jornal ser fantasma, um jornal que ninguém nunca viu, nem mesmo os vereadores do próprio PSDB, os valores pagos pela Câmara de Curitiba ainda foram três vezes maiores do que os atuais de mercado'', afirma Dr. Rosinha.

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