Deputada vê preconceito; vereadora pede integração
Acabada a sessão de ontem na Assembléia paranaense, o retorno para casa é adiado. Pausa para entrevista. Enquanto isso, um dos dois filhos a esperava na escola, já que ela não abre mão ''dessas pequenas tarefas de mãe. Não consegui delegá-las a ninguém''.
O comentário da deputada estadual Rosane Ferreira (PV) ilustra bem aquele que, se por um lado é um obstáculo, por outro não deixa de ser um desafio a mais à participação feminina no meio político. ''É difícil conciliar a vida de filha, mãe e esposa, sem falar na auto-cobrança e na cobrança da sociedade para o desempenho dessas tarefas. Mas não é impossível conciliar com o mandato, e ampliar a fatia feminina é uma necessidade urgente'', diz.
Com base em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), a deputada acabou de assumir aquele que é também o primeiro cargo eletivo dela. Se sobram reclamações pelas barreiras que afirma haver em meio tão masculino como a política, ela garante que sobra também o desejo de mudar o cenário. ''Não temos nenhuma deputada federal, mas também precisamos dar mais visibilidade àquilo que nós, mulheres, fazemos. À parte disso, é vencer o preconceito ou a desconfiança que há por parte das próprias eleitoras. Na minha campanha, por exemplo, foi muito mais fácil conquistar o voto masculino'', lembra.
Uma das duas vereadoras da Câmara Municipal de Londrina, juntamente com Sandra Graça (sem partido), a assistente social Maria Ângela Santini (PT) acredita que espaço para atuação existe - afirma ela, oitava vereadora na história da cidade nunca chefiada por uma prefeita.
''Acredito que é mais difícil chegar lá, ser eleita, falta esse trabalho de base. Mas não sinto preconceito durante a atuação, pelo contrário: é sabido que a mulher tem muito mais sensibilidade e paciência ao agir, e integração entre os dois gêneros não falta'', defende. (J.G.)





