A primeira coordenadora da região Metropolitana de Londrina, a deputada estadual Elza Correia (PMDB), acredita que não faltarão recursos do governo do Estado para tocar os principais projetos de integração dos oito municípios envolvidos (Londrina, Cambé, Rolândia, Ibiporã, Tamarana, Sertanópolis, Jataizinho e Bela Vista do Paraíso). A afirmação marca o primeiro conflito da coordenadoria com a secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedu), que deve ceder pessoal e espaço físico para o novo órgão. Pelos cálculos da Secretaria, os gastos em 2007 se restringirão à estruturação interna e realização de diagnóstico.
  ‘‘Eu me reporto diretamente ao governador’’, rebate a deputada. ‘‘Temos R$ 2 milhões já anunciados e teremos todos os recursos necessários para os projetos.’’
  Elza Correia permanece deputada estadual até o dia 30, quando terminam os mandatos atuais. Até lá, a deputada deve ajudar a aprovar projeto de lei que cria os cargos de coordenadores das regiões metropolitanas de Londrina, Maringá e Cascavel e fixa os salários em R$ 12 mil mensais (equivalente ao de secretários estaduais).
  A seguir, os principais trechos da entrevista concedida à Folha.

A coordenação da Região Metropolitana de Londrina não tem verba prevista para 2007. O que poderá ser feito ao longo do ano?
  Não existe preocupação com relação a recursos para a região metropolitana porque eles efetivamente existem. Vamos trabalhar em rede com todas as secretarias de Estado, prefeitos, utilizando verba estadual, federal e recursos internacionais, dependendo do projeto.

Qual é o montante que será aplicado? São recursos novos ou previstos no orçamento das secretarias?
  Na verdade nós estamos mais preocupados com projetos do que com o montante de dinheiro. Posso garantir que teremos os recursos necessários para dar conta dos projetos que forem realizados -não só os R$ 2 milhões já disponíveis.

Para o cidadão que espera obras concretas com o novo órgão, o que pode ser dito sobre as expectativas para esse ano?
  Até o fim do mês ainda sou deputada, até agora não foi constituída a comissão técnica necessária para funcionar a região metropolitana. Mas, algumas questões que me preocupam são saneamento básico, água e esgoto, uso do solo, transporte e sistema viário, aproveitamento dos recursos hídricos e controle ambiental, turismo e por aí afora. Vamos aproveitar os projetos que já existem, como o Plano de Desenvolvimento Industrial, o Projeto Arco Norte e o trem Pé Vermelho.

Se existem recursos, por que não foram liberados para os projetos que já existem? O que vai mudar para que haja a liberação efetiva a partir de agora?
  Não é apenas questão de recursos. Quando se discute habitação de forma integrada, em rede com os municípios que compõem a região, a utilização de recursos é diferente. A implantação desse projeto vai evitar que a gente fique discutindo a construção de algumas casas na Warta, em Cambé ou Londrina. O volume de recursos passaria a vir como resultante de um projeto elaborado por todos os prefeitos, de forma conjunta.

A região metropolitana já está consolidada ou comporta a entrada de outros municípios?
  Acho que Apucarana e Arapongas deveriam entrar, até porque vamos trabalhar o trem Pé Vermelho, que prevê o resgate da linha férrea que passa por estas duas cidades.

O governador declarou várias vezes que não ia implantar a região metropolitana para evitar a criação de um cabide de empregos...
  Ele não está criando aquilo que chamou de cabide de empregos. A forma que a região metropolitana era discutida inicialmente eu também contestava. Não dá para pensar como se fosse apenas um amontoado de cidades juntas para facilitar o aporte de recursos. Tanto é que não está sendo criado nenhum cargo para a coordenadoria, apenas o cargo de coordenadora. Nós buscaremos os técnicos (para desenvolvimento de projetos) nas prefeituras e instituições parceiras.

A escolha de seu nome para a coordenadoria seria uma espécie de ‘‘consolação’’ pela fidelidade a Requião, do início do mandato à derrota nas urnas...
  Lealdade não se cobra. Fui leal a um projeto de governo de que sou signatária. O governador me conhece muito bem e sabe que não é meu perfil, nem o dele, essa história de prêmio de consolação. Acho que ele me convidou porque conheceu minha vontade de trabalhar pela região metropolitana de Londrina e minha preocupação com as ações em rede do governo.

Na prática, a coordenadoria será uma representação da região junto ao governo, ou do governo sobre a região?
  Eu não assumiria, não aceitaria o cargo, se a região metropolitana fosse do Requião. Essa região metropolitana foi construída e pensada por muita gente e eu estava lá.

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