Dois depoimentos prestados ontem ao delegado da Polícia Federal (PF), Kandy Takahashi, no inquérito que apura o suposto caixa 2 na campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT), confirmariam parte das denúncias feitas pela ex-assessora financeira Soraya Garcia no dia 27 de julho, que geraram a investigação.
''Hoje (ontem) foram colhidos dois depoimentos. Um de uma pessoa que trabalhou diretamente na campanha, no caso uma pessoa que auxiliou na publicidade e que veio a confirmar os depoimentos da Soraya, de que realmente havia o pagamento de um valor por fora, além do que foi prestado na prestação de contas eleitoral. Pagamento sem que fosse registrado na prestação de contas, um caixa paralelo possivelmente'', relatou o delegado, se referindo ao depoimento do músico Vitor Hugo Gorni.
Gorni seria o autor do jingle da campanha de Nedson e teria prestado serviços na área de publicidade durante os dois turnos. Ele não foi encontrado pela reportagem para comentar o depoimento. Conforme a prestação de contas do prefeito entregue à Justiça Eleitoral, Gorni teria recebido R$ 3,5 mil pelo serviço prestado. No entanto, no depoimento prestado à PF, ele afirmou que o pagamento, feito por um dos coordenadores da campanha, teria sido maior. ''Ele declarou que ganhou algumas vezes mais'', disse Takahashi.
Por três horas e meia, o delegado também ouviu ontem o depoimento de R.B. que teria trabalhado na campanha e pedido que tivesse a identidade mantida em sigilo. ''O outro depoimento que foi colhido, foi de uma pessoa que trabalhou como segurança na campanha do prefeito Nedson. Segundo informações, ele ajudava um assessor, um colaborador da campanha, no transporte do dinheiro para se evitar qualquer risco de se perder o dinheiro'', afirmou o delegado.
R.B. afirmou no depoimento que, apesar de constar na prestação de contas de Nedson como doador de R$ 30, nunca teria repassado nenhum valor para a campanha. Ele relatou que o mesmo expediente teria sido utilizado com outras pessoas e que ele teria ficado responsável por pegar as assinaturas nos recibos de doação. ''Ele narrou que nos últimos dias para o final do prazo para prestar contas, ele teria percorrido alguns locais recolhendo assinaturas de pessoas que supostamente teriam ofertado dinheiro para a campanha de Nedson. Ele mesmo narrou que foi uma das pessoas que doou dinheiro, só que efetivamente não chegou a doar dinheiro para a campanha'', disse Takahashi. ''O depoimento da testemunha veio a confirmar o que a Soraya havia narrado e também trouxe uma outra linha de investigação citando outros nomes, outras pessoas, outras situações que serão checados nos próximos dias.'' O delegado manteve os nomes das pessoas citadas nos depoimentos em sigilo ''para não atrapalhar as investigações''.
Esta semana, Takahashi deverá ouvir pessoas citadas nos depoimentos de Soraya e que teriam trabalhado na publicidade da campanha.

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