Agência Estado
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Lágrimas salvadorasJosé Borba pede desculpas e chora no final do depoimento: atitude sensibilizou alguns parlamentaresA situação do deputado Valdomiro Meger (PFL-PR) complicou-se ontem depois do seu depoimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Em compensação, no mesmo processo de quebra do decoro parlamentar, o deputado José Borba (PTB-PR) deixou a CCJ praticamente absolvido. No dia 18, Borba votara quatro vezes por Meger. Os dois estão sendo processados por fraudar a votação da reforma da Previdência, em mais um episódio envolvendo os chamados ‘‘pianistas’’.
No início do processo, a situação de Borba era pior, porque foi ele o parlamentar flagrado votando com a senha de Meger, que estava a mais de 1,5 mil quilômetros de distância, em Maringá, em uma reunião com plantadores de cana-de-açúcar do Paraná. Tudo mudou ontem. Borba chorou, assumiu a culpa, implorou perdão, disse que desonrou o nome da Câmara dos Deputados mas acabou revelando que fraudou a votação a pedido de Meger, seu amigo.
O amigo Meger, porém, negou que tivesse dado a senha para Borba e comparou a fraude a uma fatalidade igual à da queda do avião da TAM. Foi o suficiente para que deputados da CCJ o considerassem ‘‘mentiroso’’. ‘‘O Valdomiro Meger passa o tempo todo tentando culpar o José Borba, que fica querendo inocentar o amigo’’, disse Vicente Cascione (PTB-SP). ‘‘Dá para ver que o sincero é o Borba e o mentiroso o Meger’’, continuou Cascione. ‘‘Não votarei nunca a favor da cassação do Borba.’’
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E agora?Meger depõe, se complica e, acuado, corre para seu gabinete: novas denúncias prejudicam defesa
Para complicar a situação de Valdomiro Meger, a Comissão de Constituição e Justiça ouviu ontem o depoimento do deputado Odílio Balbinotti (PSDB-PR), o autor da denúncia da fraude. Balbinotti confirmou que procurou o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para informar sobre o fato de que em 18 de março um parlamentar estava votando por outro. ‘‘Sinto não ter sido o primeiro, porque Michel Temer disse que já estava desconfiado e que tinha mandado vigiar os postos em que aparecia o nome de Meger’’, contou o deputado Balbinotti.
Quase no final do depoimento, Balbinotti informou que outro parlamentar, o deputado Alexandre Ceranto (PFL-PR), lhe tinha contado que, na semana anterior à fraude, vira o nome de Meger no painel, mas soube que ele estava em Maringá. Ceranto foi chamado à CCJ. Primeiro, negou que tivesse feito o comentário; depois, confirmou, embora não tivesse manifestado a certeza do fato porque, segundo ele, quem dissera que Meger estava em Maringá enquanto o nome aparecia no painel eletrônico fora um assessor do deputado, do qual não recordava o nome.
Durante o depoimento de quase duas horas, José Borba admitiu ter cometido a fraude todas as vezes em que foi perguntado sobre o assunto. Disse que votou a pedido de Meger mas escondeu durante quase todo o tempo quem lhe passara a senha. Só deu a informação depois de um apelo do advogado de defesa, Carmino Donato Júnior. Segundo José Borba, ele e Meger fizeram um acordo. Ele representaria Meger na votação e o amigo seria seu procurador na reunião com os plantadores de açúcar.
A forma como Meger forneceu a senha foi relatada em detalhes. Segundo Borba, ao se dirigir ao posto para votar, esqueceu a senha de Meger. Então, ligou para o gabinete do colega e pediu que fizessem o contato. Valdomiro Meger ligou depois e passou a senha de novo. ‘‘Tenho consciência de que feri o decoro parlamentar’’, disse José Borba. ‘‘Peço perdão pelos constrangimentos que estou causando à Câmara’’, continuou ele. ‘‘Foi um deslize de minha parte; peço as mais profundas desculpas’’, continuou.
A franqueza de José Borba está dando resultados. ontem mesmo, na reunião da CCJ, ele foi elogiado por deputados das mais diferentes tendências. Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) disse que nunca viu ninguém tão sincero; José Genoíno (PT-SP) afirmou que foi a primeira vez em que alguém admitiu a culpa; o relator do processo, Sílvio Pessoa (PMDB-PE), também elogiou o deputado. A tendência é a absolvição de Borba ou, no máximo, a suspensão por 30 dias, punição que o deputado está até pedindo.

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