Depoimentos marcados para hoje podem não ocorrer
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
Rodrigo Souza Grota De Londrina 
O juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Arquelau de Araújo Ribas, marcou para hoje, a partir das 14 horas, os depoimentos de três acusados de envolvimento no desvio de R$ 1,7 milhão de cofres públicos. Os depoimentos, porém não devem ocorrer, segundo apurou a Folha. Os acusados são o ex-prefeito Antonio Belinati, o ex-secretário de Governo Gino Azzolini Neto e o ex-tesoureiro de campanha de Belinati Cassimiro Zavierucha (Carlos Júnior). Eles foram denunciados pelo Ministério Público (MP) juntamente com outras 33 pessoas.
A reportagem tentou contato ontem com Belinati, mas ele não retornou às ligações. O advogado dele, Antônio Carlos de Andrade Vianna, não havia decidido até o final da tarde, sobre a presença do ex-prefeito no Fórum.
Azzolini Neto não deve comparecer porque ele estaria ausente de Londrina. Familiares do ex-secretário garantem que ele esteve na cidade no fim de semana, mas o seu próprio advogado (Omar Baddauy) afirmou ontem desconhecer seu paradeiro. O advogado ainda estuda a possibilidade de impetrar algum recurso desobrigando seu cliente de comparecer ao Fórum, mas preferiu não revelar a estratégia.
O advogado de Carlos Júnior, Mauro Viotto, alegou que seu cliente não foi intimado ainda. Ele está sendo procurado por oficiais de Justiça desde semana passada, quando foi decretada sua prisão preventiva (que, depois, foi suspensa), mas até ontem não havia sido encontrado. Viotto disse desconhecer o paradeiro de seu cliente.
Outro réu que não deverá comparecer à 4ª Vara Criminal, no próximo dia 18, a partir das 14h30, é o ex-secretário de Governo e Administração Wilson Mandelli. O advogado dele, Ronaldo Gomes Neves, deve impetrar pedido de suspeição do juiz Arquelau Ribas, solicitando também a dispensa de Mandelli ao depoimento. Mandelli dividiu, durante seis dias, a mesma cela com Belinati. Eles ficaram presos no 2º distrito policial (zona leste).
Todos os 36 denunciados pelo MP são acusados dos crimes de falsificação ideológica, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Se condenados, podem pegar penas de nove a 37 anos de prisão. Esta foi a primeira ação criminal impetrada pelo MP desde que começaram as investigações de desvios de recursos da prefeitura, em fevereiro de 1999.


