Depoimentos de técnicos à CEI são contraditórios
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segunda-feira, 21 de maio de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
A Comissão Especial de Investigações do governo do Estado que apura denúncias de escutas telefônicas clandestinas em prédios públicos ouviu ontem dois depoimentos contraditórios. O técnico em manutenção da Telepar, Jamil Silvestre, que em outubro de 1999 fez a avaliação de campo da linha do gabinete da então secretária de Administração, Maria Elisa Pariornik, disse não acreditar que se tratava de grampo telefônico. Ele definiu como anormalidade técnica o que encontrou nas linhas em um armário telefônico do Centro Cívico. Embora fosse possível, eu não posso afirmar que a destinação era escuta clandestina porque fiz o teste e não constatei a ligação de nenhum aparelho eletrônico no final das linhas, garantiu.
De um conjunto de seis linhas, cinco destinavam-se ao escritório do advogado trabalhista, José Maria Nascimento. Uma estava ligada à Secretaria de Administração. Depois que constatou a irregularidade, o técnico informou ao gerente de segurança da Telepar e em seguida recebeu a determinação de encerrar a vistoria. Não sei quem desativou a anormalidade, isso normalmente é feito pelo pessoal da segurança, eu sou um técnico.
O outro depoente, o ex-chefe de gabinete da Telepar, João Luiz do Rego Barros, foi categórico ao afirmar que a irregularidade não foi fortuita. Pelas informações que tive do pessoal da segurança na época, era possível fazer escuta telefônica e entendo que foi intencional, afirmou. Ele também não soube informar quem desativou a possível escuta. Toda empresa de telecomunicação se preocupa em não deixar o cliente sem telefone, por isso a primeira medida foi desativar a irregularidade e liberar a linha da secretária, explicou.
Depois que a segurança da Telepar constatou o possível grampo, a ex-secretária Maria Elisa Paciornik foi informada oficialmente dos resultados da vistoria. Em seguida, ela passou a informação para a Procuradoria Geral do Estado, que solicitou a abertura de investigação pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC).
Após os depoimentos, o Secretário de Segurança Pública, José Tavares, que preside a comissão, disse estar cada vez mais convencido que a ex-secretária foi vítima de escuta clandestina. Acho que houve precipitação da Telepar em desativar a irregularidade antes de uma perícia completa, contou. O próximo depoente será o advogado José Maria Nascimento. A linha do gabinete da ex-secretária estava ligada ao escritório dele. Nascimento garante que nunca fez ou soube de alguém que tivesse grampeado o gabinete de Maria Elisa.
Outra testemunha que a comissão pretende ouvir é o ex-procurador-geral de Justiça do Estado, Gilberto Giacóia. Ele foi citado por Maria Elisa, mas ainda não pôde ser convocado porque está viajando ao exterior.


